Rute Maria Silva de Almeida, 54 anos, conversa com os amigos dos filhos e deixa recados na rede socialFoto: Lívia Stumpf / Agencia RBS
O amor de mães e
filhos extrapolou as fronteiras do convívio familiar, manifestado sobretudo em
beijos, abraços, mimos e conversas. Em tempos de redes sociais, são as
curtidas, os compartilhamentos e os comentários que ajudam a revelar a
intensidade dessa relação que é festejada neste domingo.
Elas colocam elogios
na rede para que o mundo veja o quanto a sua prole é especial. Conferem quem
são os amigos, conversam com os filhos quando eles estão longe,
"pescam" nos comentários da turma o que rolou na festinha da noite
anterior.
A gurizada, por sua
vez, se acostuma a ter alguém "de olho" na vida virtual. E muitos se
aproximam mais das mães graças ao ambiente descontraído e espontâneo das redes
sociais. Em meio a essas novidades, o mais importante é que, seja na internet
ou fora dela, o que permanece sempre conectado entre eles são os corações.
Ela curte mais que as filhas
Ela curte mais que as filhas
Se existe alguém mais
antenado que Natalia, 15 anos, Fernanda, 11 anos, e Renata, oito anos, nas
novidades que rolam na internet, é a mãe delas, a cuidadora de idosos Eva
Prates, 39 anos. Ela foi a pioneira da casa a usar tecnologias para facilitar a
comunicação entre as pessoas, ainda com o Orkut e o MSN. Depois, migrou para o
facebook, o popular face, levando as filhas.
- Eu uso direto. Se
me deixar, eu fico 24 horas por dia - diverte-se a mãe.
Boa parte desse tempo
é no contato com as filhas. Como as três também têm perfil na mais famosa rede
social, é por ali que Eva e as meninas se comunicam ao longo do dia, quando ela
está no trabalho, em Porto Alegre, e o trio em casa, na Granja Esperança, em
Cachoeirinha.
Gurias seguem dica de quem é zelosa
No bate-papo, a mãe
pede que as filhas, por exemplo, tirem a carne do freezer ou estendam a roupa
que ficou na máquina. Já as declarações de amor, é claro, são públicas e
frequentes nas páginas de cada uma.
- Se eu não estivesse
no facebook, perderia muito do convívio com as minhas filhas. Quando elas
escrevem alguma coisa sobre como se sentem, eu já fico sabendo - destaca Eva.
As meninas garantem
que não se incomodam com a presença constante da mãe na rede. E seguem a dica
de não adicionar pessoas desconhecidas.
- Uma
"tortura" que serviu de lição.
Difícil
mesmo é se o acesso às redes sociais precisa ser bloqueado, como aconteceu com
Natalia.
- Ai, que tortura! -
lembra a jovem.
A estudante ficou um
tempo sem acesso a internet para centrar forças na aprovação para a sétima
série, no ano passado.
Palavra de especialista
O doutor em
Psicologia e professor da Unisinos Daniel Abs destaca que as redes sociais são
um espaço a mais para exercitar a relação entre mães e filhos. Segundo ele, o
convívio na internet não é separado do vínculo fora dela - a rede é uma
continuação da vida:
- O melhor é que seja
sempre o mais natural possível. Cada família tem um jeito, uma dinâmica.
Assim, a mãe que
revisa o roupeiro do filho tende a vasculhar também o perfil no face. Mas isso
não muda a relação.
Sobre quando começar a navegar nas redes, não existe uma idade certa.
Sobre quando começar a navegar nas redes, não existe uma idade certa.
- Da mesma forma que
ela não vai expor o bebê a riscos do mundo, também não deve fazer isso na rede
social - orienta Daniel.
Longe do computador, mas ligada em tudo
Ela não tem perfil no
face, mas nem por isso deixa de saber (quase) tudo o que está rolando por ali.
A dona de casa Iara Terezinha Silva da Rosa, 51 anos, como toda mãe, faz mais
de uma coisa ao mesmo tempo.
Nesse caso, mantém um
olho nos afazeres da casa, no Bairro Partenon, e outro no perfil da filha
Michelle Rosa e Silva, 15 anos.
- Às vezes, quando eu
tô no face, ela tá olhando junto. Pergunta quem são as pessoas, diz para cuidar
as fotos que eu vou botar - conta a jovem.
Até quatro horas por dia plugada
A preocupação da mãe
é que pessoas mal-intencionadas tenham acesso a informações da filha. Por isso,
está sempre advertindo para ela não se expor demais. Michelle garante que ouve
os conselhos, mas considera a sua página um espaço de expressão de sentimentos
e ideias:
- Gosto de postar
músicas, fotos. O que os outros postam e que me agrade, eu curto e compartilho.
Apesar de reconhecer
que o face a afasta um pouco do convívio com a mãe (fica de três a quatro horas
por dia conectada), a jovem também vê elos. Costuma chamar Iara para ver alguma
foto, comentário e até convites para festas que as amigas enviam.
- Tem de saber usar
bem, para tirar o melhor proveito - aconselha a zelosa mãe.
A amigona da galera
A amigona da galera
Desde o tempo em que
os filhos eram adolescentes, a mãe já navegava nas redes sociais. E com o
avanço da tecnologia, a conexão só aumentou entre a aposentada Rute Maria Silva
de Almeida, 54 anos, a auxiliar administrativa Paulline, 26 anos, e o auxiliar
de instalação Leonardo de Almeida Megier, 24 anos.
- Gosto disso, acho
que é uma maneira de me aproximar dos filhos, de saber o que está acontecendo -
afirma a mãe.
O trio levou para a
internet o comportamento que já existe na vida real. Entre eles, não há
segredos ou assuntos proibidos. Ela conhece todos os amigos deles e conversa
com a galera. E os filhos curtem a participação intensa dela na rede.
- Esses dias, eu coloquei
no face que estava com dor de garganta. Na hora me ligou, dizendo para tomar um
remédio - diverte-se Paulline.
Filho controla as postagens
Ela e o irmão saem
para trabalhar cedo. A mãe, ao acordar, liga o computador. Entre uma tarefa e
outra da casa, vê atualizações na rede e conversa com quem está online - e isso
inclui os filhos, claro. E não deixa de corujar.
- Volta e meia ela tá
colocando elogios para a gente no face. E cobra se não tem curtida ou
comentário - entrega Pauline.
Tanta empolgação da
mãe já provocou alguns alertas, principalmente de Leonardo. Às vezes, ele diz
para Rute não postar tanto, nem ficar contando tantas coisas a seus amigos.
Então ela se controla.
- Hoje em dia, se tu
não acompanhares os filhos, estás por fora. Às vezes, eles estão na rua e não
tem mais a proximidade física, mas a conversa continua no face - conclui Rute.
Fonte: Denise Waskow |
DIÁRIO GAÚCHO
Nenhum comentário:
Postar um comentário