domingo, 12 de maio de 2013

Em maior número e com armas mais potentes, bandidos constrangem PMs no Interior do Estado

Somente neste ano, policiais foram reféns em assaltos a bancos em quatro cidades gaúchas
Em maior número e com armas mais potentes, bandidos constrangem PMs no Interior do Estado DANI BARCELLOS/Especial
Em Campestre da Serra, três policias foram rendidos por criminosos no final de marçoFoto: DANI BARCELLOS / Especial

      Policiais militares de pequenas cidades gaúchas estão constrangidos.

     Eles não dizem isso. Não verbalmente. Mas quando desviam o olhar e engolem a voz para falar que foram rendidos por criminosos, dá para perceber. Eles são formados para proteger a população e reprimir o crime, não estão preparados para serem vítimas. 

     Acabaram virando reféns de quadrilhas que se aproveitam de estar em maior número e com armamento de guerra para anular a ação policial e ter liberdade para saquear bancos em série, levando terror a municípios miúdos de norte a sul do Estado.

     No episódio mais recente, segunda-feira, dois PMs foram colocados no porta-malas de um veículo em Sarandi, norte do Estado. Na sexta-feira anterior, quatro homens com uniforme semelhante ao usado pela Polícia Civil renderam dois policiais. 

     Em 22 de abril, Pedras Altas, na Campanha, teve um PM foi rendido, e a viatura usada na fuga. A série de ataques começou em Campestre da Serra, em 28 de março, com três PMs reféns — um algemado diante do cordão humano em frente a um dos bancos saqueados.

     — A comunidade fica em choque, porque nós somos a referência para a segurança deles, e de repente eles nos veem rendidos — desabafa um soldado que ficou algemado por cerca de 15 minutos, sofrendo ameaças e ouvindo deboches sobre seu salário.

     O dano psicológico às vítimas e suas famílias é inevitável. Tanto que um deles, feito refém em Pedras Altas, segue afastado de suas atividades por recomendação psicológica. Onde o efetivo já era insuficiente, um policial a menos torna a estrutura mais vulnerável: restou um único PM para guarnecer toda a cidade.

     De acordo com Leonel Lucas, presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que representa os PMs, o clima no Interior é de preocupação.

     — Sabemos da dificuldade de efetivo, mas também falta equipamento. Começa até no carro. Eles (os bandidos) chegam com carro 2.0, com toda a potência, enquanto a Brigada tem um 1.0. Isso quando tem carro. Em algumas cidades, nem radiocomunicador nem celular funcional os PMs têm para chamar reforço — relata Lucas.

     Essa realidade, somada aos últimos acontecimentos, leva preocupação às famílias, o que só aumenta a tensão do policial a cada vez que calça os coturnos.

     — Coloco a farda e já fico nervoso, não estou brincando. As crianças não querem nem ir à aula — conta um policial feito refém em Fagundes Varela, pai de três meninas, de 11 anos, de seis anos e de dois meses.

     Conforme o tenente-coronel Leonel Bueno, que responde pelo Comando Regional de Policiamento da Serra (CRPO), região que teve dois assaltos com PMs reféns, a BM está buscando o amparo de saúde e psicológico tanto para as pessoas que foram vítimas, quanto para suas famílias.

     — Mas esquecer, ninguém esquece uma situação dessas — reconhece.

AÇÕES OUSADAS

CAMPESTRE DA SERRA, 3,2 MIL HABITANTES

Bandidos prendem policiais quatro vezes em 42 dias
- 28 de março — Três policiais são rendidos por criminosos que roubam três bancos. Um dos policiais foi algemado pelos bandidos.

PEDRAS ALTAS, 2,2 MIL HABITANTES

- 22 de abril — Antes de atacar as agências do Banrisul e do Sicredi, bandidos rendem o único policial em serviço e usam a viatura na fuga.

FAGUNDES VARELA, 2, 5 MIL HABITANTES

- 3 de maio — Usando uniforme da Polícia Civil, uma quadrilha rende dois PMs e atacam agências do Sicredi e do Banco do Brasil.

SARANDI, 21 MIL HABITANTES

- 6 de maio — Bandidos assaltam o Banco do Brasil, usando reféns de escudo. Dois policiais militares são colocados no porta-malas de um carro.

Fonte: Taís Seibt | ZERO HORA

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