Em Campestre da Serra, três policias foram rendidos por criminosos no final de marçoFoto: DANI BARCELLOS / Especial
Policiais militares de pequenas cidades
gaúchas estão constrangidos.
Eles não dizem isso. Não verbalmente. Mas
quando desviam o olhar e engolem a voz para falar que foram rendidos por
criminosos, dá para perceber. Eles são formados para proteger a população e
reprimir o crime, não estão preparados para serem vítimas.
Acabaram virando reféns de quadrilhas que se aproveitam de estar em maior número e com armamento de guerra para anular a ação policial e ter liberdade para saquear bancos em série, levando terror a municípios miúdos de norte a sul do Estado.
Acabaram virando reféns de quadrilhas que se aproveitam de estar em maior número e com armamento de guerra para anular a ação policial e ter liberdade para saquear bancos em série, levando terror a municípios miúdos de norte a sul do Estado.
No episódio mais recente, segunda-feira,
dois PMs foram colocados no porta-malas de um veículo em Sarandi, norte do
Estado. Na sexta-feira anterior, quatro homens com uniforme semelhante ao usado
pela Polícia Civil renderam dois policiais.
Em 22 de abril, Pedras Altas, na Campanha, teve um PM foi rendido, e a viatura usada na fuga. A série de ataques começou em Campestre da Serra, em 28 de março, com três PMs reféns — um algemado diante do cordão humano em frente a um dos bancos saqueados.
Em 22 de abril, Pedras Altas, na Campanha, teve um PM foi rendido, e a viatura usada na fuga. A série de ataques começou em Campestre da Serra, em 28 de março, com três PMs reféns — um algemado diante do cordão humano em frente a um dos bancos saqueados.
— A comunidade fica em choque, porque nós
somos a referência para a segurança deles, e de repente eles nos veem rendidos
— desabafa um soldado que ficou algemado por cerca de 15 minutos, sofrendo
ameaças e ouvindo deboches sobre seu salário.
O dano psicológico às vítimas e suas
famílias é inevitável. Tanto que um deles, feito refém em Pedras Altas, segue
afastado de suas atividades por recomendação psicológica. Onde o efetivo já era
insuficiente, um policial a menos torna a estrutura mais vulnerável: restou um
único PM para guarnecer toda a cidade.
De acordo com Leonel Lucas, presidente da
Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que representa os PMs, o
clima no Interior é de preocupação.
— Sabemos da dificuldade de efetivo, mas
também falta equipamento. Começa até no carro. Eles (os bandidos) chegam com
carro 2.0, com toda a potência, enquanto a Brigada tem um 1.0. Isso quando tem
carro. Em algumas cidades, nem radiocomunicador nem celular funcional os PMs
têm para chamar reforço — relata Lucas.
Essa realidade, somada aos últimos
acontecimentos, leva preocupação às famílias, o que só aumenta a tensão do
policial a cada vez que calça os coturnos.
— Coloco a farda e já fico nervoso, não
estou brincando. As crianças não querem nem ir à aula — conta um policial feito
refém em Fagundes Varela, pai de três meninas, de 11 anos, de seis anos e de
dois meses.
Conforme o tenente-coronel Leonel Bueno,
que responde pelo Comando Regional de Policiamento da Serra (CRPO), região que
teve dois assaltos com PMs reféns, a BM está buscando o amparo de saúde e
psicológico tanto para as pessoas que foram vítimas, quanto para suas famílias.
— Mas esquecer, ninguém esquece uma
situação dessas — reconhece.
AÇÕES OUSADAS
CAMPESTRE DA SERRA,
3,2 MIL HABITANTES
Bandidos prendem
policiais quatro vezes em 42 dias
-
28 de março — Três policiais são rendidos por criminosos que roubam três
bancos. Um dos policiais foi algemado pelos bandidos.
PEDRAS ALTAS, 2,2 MIL
HABITANTES
- 22 de abril — Antes
de atacar as agências do Banrisul e do Sicredi, bandidos rendem o único
policial em serviço e usam a viatura na fuga.
FAGUNDES VARELA, 2, 5
MIL HABITANTES
- 3 de maio — Usando
uniforme da Polícia Civil, uma quadrilha rende dois PMs e atacam agências do
Sicredi e do Banco do Brasil.
SARANDI, 21 MIL
HABITANTES
- 6 de maio — Bandidos
assaltam o Banco do Brasil, usando reféns de escudo. Dois policiais militares
são colocados no porta-malas de um carro.
Fonte:
Taís Seibt | ZERO HORA
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