Carro apreendido está no nome da criança falecida em 1961 |
Foto: Ministério Público / Divulgação / CP
O ex-servidor da Carris, investigado pelo
Ministério Público do Rio Grande do Sul, utilizou a documentação de uma criança, de 3 anos, que
morreu em 1961, para desviar mais de R$ 1,7 milhão da Carris. As fraudes
ocorreram entre agosto de 2015 e janeiro 2017.
As indenizações pagas eram por acidentes
envolvendo a Carris que tinham ocorrido após a morte da criança, que nasceu em
1958. “Ele criou indenizações artificiais para que a Carris efetuasse o
pagamento. Foram indenizações inexistentes”, ressaltou o promotor de Justiça
Flávio Duarte.
De acordo com o Ministério Público, o nome usado
na falsificação foi escolhido aleatoriamente pelo investigado em uma lápide no
cemitério São Miguel e Almas. “Ele disse que escolheu alguém com data de
nascimento próxima a sua”, explicou o promotor.
Segundo Duarte, inicialmente os valores das
indenizações foram repassados para a conta da pessoa falecida e depois
transferido para a conta bancária de familiares e amigos do ex-servidor. O
dinheiro foi usado ainda para compra de veículos, joias e doações eleitorais.
“Detalhes das doações estão em sigilo. Mas todos os valores foram repassados
para o mesmo partido, para o PMDB”, ressaltou Duarte.
O homem, que não teve identidade revelada, atuava
em um cargo comissionado no departamento financeiro da Carris. “Ele se
aproveitou da função para fraudar uma série de documentos que justificavam os
pagamentos de indenizações para pessoas artificiais”, explica o promotor. Os
cheques, assinados pelo presidente da Carris à época, estavam no nome da
criança falecida.
As fraudes foram descobertas pela atual gestão da
Carris, que suspeitou das irregularidades e acionou o Ministério Público. Nesta
quarta-feira, o MP, com a Brigada Militar, realizou mandados de busca e
apreensão na casa do suspeito, na residência da filha dele e na oficina de um
dos filhos. Nos locais, foram apreendidos joias, relógios e documentos. A ação
também sequestrou vários veículos, todos adquiridos com o dinheiro da fraude.
A promotoria acredita que outras pessoas estejam
envolvidas nos desvios, devido à complexidade do caso. Contudo, o homem – em
conversa informal – assegurou ao MP que teria feito tudo sozinho. Durante o
mandado de busca, os agentes encontraram na carteira do suspeito um cartão de
crédito no nome da criança. “Ele disse que era de um amigo”.
A
investigação apontou ainda que o ex-servidor fez a documentação falsificada da
criança em 1995, em Santa Catarina. Por isso, o MP não descarta que outras
fraudes tenham sido cometidas pelo investigado. “Nesse período (de 1995 a
2015), podem ter sido utilizados os mesmos documentos para cometer outras
fraudes”, ressaltou o promotor.
O
prefeito Nelson Marchezan Junior disse, na manhã de hoje, que a direção da
Carris seguiu a orientação repassada pelo seu governo quando constatou que
“havia indícios de algum desvio e crime”, sendo então acionado o Ministério
Público que “continua tendo nosso apoio”. Segundo ele, a orientação é a de que de
“todas as questões administrativas sejam tratadas com rigor e abertas
sindicâncias” enquanto “aquilo que tem a haver com competências de Polícias e
Ministério Público sejam encaminhadas diretamente”.
Correio
do Povo
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