PT define Haddad como vice de Lula na disputa
eleitoral e fecha com PCdoB
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
/ CP
O PT oficializou, na noite desse domingo, o
ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como candidato a vice-presidente na
chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A
composição da chapa, no entanto, ainda pode mudar, porque o partido fechou uma
aliança com o PCdoB, convidando a deputada gaúcha Manuela D'Ávila para ser a
vice após a Justiça Eleitoral definir a situação de Lula na disputa.
A parlamentar ainda não respondeu oficialmente se
aceita o convite. Haddad, visto como um "plano B" do PT para
substituir Lula na disputa, foi apresentado como um "vice tampão"
para representar o ex-presidente na campanha, enquanto a condição jurídica de
Lula não é definida. O acordo com o PCdoB garantiu ao partido que Manuela será
a vice do PT independentemente de quem for a cabeça de chapa, em caso de
impugnação do ex-presidente.
Haddad ficará no posto de vice para cumprir
exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fazer campanha para Lula no
País e representar o ex-presidente nos debates e entrevistas que participar.
Inicialmente, o PT queria manter a vaga de vice em aberto até o registro da
candidatura, em 15 de agosto. Técnicos do TSE, no entanto, informaram que a
coligação e a chapa precisariam ser definidas até este domingo.
A comunicação ao tribunal foi feita cinco minutos
antes da meia-noite. A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann
(PR), classificou a situação como mais uma tentativa de barrar a candidatura de
Lula, preso e condenado na Lava Jato. "É uma ação que foi feita exatamente
para se colocar mais um obstáculo na candidatura do presidente Lula, uma
intervenção da Justiça Eleitoral", disse a dirigente. Ela reiterou que o
partido manterá a candidatura de Lula "até as últimas consequências"
e registrará seu nome como candidato no dia 15 de agosto.
Carta
Para oficializar a escolha, a Executiva do PT
recebeu uma carta de Lula indicando Haddad como vice e pedindo que o partido
insistisse na aliança com o PCdoB e no convite para Manuela ser vice. Na
mensagem, Lula disse que Haddad seria o melhor nome para defender suas ideias.
O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, sondado anteriormente, fez chegar ao PT
que não gostaria de ser indicado como vice.
Com a decisão tomada e a negociação com o PCdoB
amarrada, os dirigentes petistas tentaram fazer chegar a Lula o resultado do
acordo, mas, devido ao horário em que o ex-presidente está autorizado a receber
recados na Polícia Federal em Curitiba, não deu tempo. A notícia da aliança com
o PCdoB deve chegar ao ex-presidente na manhã desta segunda-feira, 6. Em seu
discurso, Haddad disse que será "um prazer" andar pelo País
defendendo as ideias do ex-presidente. Ele ressaltou que os programas de
governo do PT e do PCdoB "só têm coisas em comum" e serão
compatibilizados.
O ex-prefeito e ex-ministro de Lula classificou a
coligação, que também integra PROS e PCO, como uma "grande aliança para
resgatar o País". Já a presidente nacional do PCdoB, Luciano Santos,
afirmou que o convite para Manuela ser vice "honra" o partido e que a
legenda defendeu a união da esquerda nas eleições desde o começo, tendo tido
sucesso na "unidade que foi possível." Ela lamentou que a aliança não
tenha sido mais ampla.
O partido conversou também com o PDT, que lançou
Ciro Gomes como candidato. "Vamos fazer o bom combate e com debate de
ideias e vamos ganhar a quinta eleição consecutiva", disse a dirigente.
Manuela D'Ávila, no entanto, ainda não respondeu oficialmente se aceita ser
vice do PT. A assessoria de imprensa da deputada gaúcha disse que ela não se
manifestaria no momento.
ESTADÃO conteúdo
Correio do Povo
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