Marília de Castro Neves escreveu no Facebook
que vereadora assassinada estaria "engajada com bandido"
Foto: Miguel Schincariol / AFP / CP
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou
nesta terça-feira que abriu procedimento para investigar uma publicação feita
pela desembargadora Marília de Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro (TJRJ), na qual a magistrada acusa a vereadora carioca Marielle Franco
(PSOL) de estar “engajada com bandido” e envolvida com a organização criminosa
Comando Vermelho. Marielle foi executada na semana passada, com quatro tiros na
cabeça, no centro do Rio.
"Diante
das recentes notícias veiculadas em meios de comunicação sobre manifestações
públicas da desembargadora a respeito da vereadora carioca assassinada,
Marielle Franco, o corregedor Nacional de Justiça, ministro João Otávio de
Noronha, determinou a abertura de procedimento para averiguar os fatos”,
informa nota publicada pelo CNJ em seu site oficial. O PSOL entrou
com representação no CNJ pedindo punição da magistrada,
que, ao fazer acusações sem provas a respeito de Marielle, teria violado os
deveres de manter conduta irrepreensível e a integridade pessoal e
profissional, conforme previstos na Lei Orgânica da Magistratura.
“O
que afirma a desembargadora, membro do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de
Janeiro, é muito grave, pois não há um único indício a fundamentar sua posição
e não haverá, porque não existe”, diz o partido na representação.
Postagens
Em post
no Facebook, dois dias após a morte da vereadora, Marília de Castro Neves
escreveu: “a tal da Marielle não era apenas uma ‘lutadora’; ela estava engajada
com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’
assumidos com seus apoiadores”.
A
Associação Brasileira de Juristas para Democracia também acionou o CNJ para que
investigasse a desembargadora por publicações em que ironizou uma professora
com síndrome de Down. “O que será que essa professora ensina a quem???? Esperem
um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”, postou Marília. O CNJ
informou ter aberto um pedido de providências para que a desembargadora se
explique a respeito deste caso, também.
Nesta
terça-feira, a magistrada fez uma nova publicação no Facebook em que disse ter
se precipitado no comentário sobre Marielle. “No afã de defender as
instituições policiais, ao meu ver injustamente atacadas, repassei de forma
precipitada, notícias que circulavam nas redes sociais”, escreveu. “A conduta
mais ponderada seria a de esperar o término das investigações para então, ainda
na condição de cidadã, opinar ou não sobre o tema”, diz o texto.
Execução
Marielle
Franco tinha 38 anos e foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro na
eleição de 2016. Ela era natural do Complexo da Maré e tinha sua atuação
política destacada pelo engajamento com causas feministas e pela defesa dos
direitos humanos em comunidades carentes da capital fluminense. Com frequência
ela fazia denúncias contra a violência policial.
A
vereadora foi assassinada na noite do dia 14, quando voltava de carro para casa
de um evento ligado ao movimento feminista e negro na Lapa, região central do
Rio de Janeiro. Sua morte causou comoção e manifestações em dezenas de cidades
brasileiras e em outras partes do mundo. O motorista Anderson de Pedro Gomes,
de 39 anos, também morreu no ataque.
Agência Brasil
Correio do Povo
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