Cem entidades denunciam Brasil na ONU por morte
de Marielle Franco | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP
Mais de
cem ONGs e entidades internacionais se unem para denunciar o estado brasileiro
na ONU e pedem investigações independentes sobre a morte da vereadora carioca Marielle Franco(PSOL).
Numa intervenção durante o Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta
terça-feira o bloco denunciará o fato de que "muitos que falam a verdade
ao poder no Brasil enfrentam violência e estigmatização sem precedentes, já que
o País está no topo das mortes dos defensores".
O
protesto ocorre no mesmo dia em que deputados europeus cobram respostas do
governo brasileiro e que a ONU critica pela segunda vez em uma semana a
situação de ativistas no País. Em Genebra, a lista das entidades que apoiam a
declaração na ONU inclui Conectas, Organização Mundial contra a Tortura, Front
Line Defenders, Friends of the Earth, Conselho Indígena Missionário, além de
entidades africanas e latino-americanas.
"Solicitamos
ao governo brasileiro assegurar uma investigação imediata, imparcial e
independente, processando os responsáveis materiais e intelectuais deste crime,
com a competência e a abertura para a possibilidade de o assassinato ter sido
uma execução extrajudicial", irá declarar o grupo, de acordo com um texto
que circula com a lista de copatrocinado. "Também pedimos para as
autoridades dar proteção efetiva aos sobreviventes desse ataque, como
testemunhas-chave desta atrocidade", diz a solicitação.
Segundo o
grupo, o ataque ocorre "no contexto de uma intervenção federal altamente militarizada no
Estado do Rio, decretada pelo presidente, contrária a vontade das comunidades
locais". "De fato, as preocupações sobre a intervenção foram
destacadas pelo Alto Comissário de Direitos Humanos em sua declaração durante
esta sessão", indicarão as entidades, numa referência às críticas feitas
pela ONU há duas semanas. "Marielle foi nomeada relatora de um comitê
parlamentar para supervisionar os abusos da ação militar no Rio. O programa de
proteção dos defensores permanece subfinanciado e insuficiente",
denunciarão.
Apelo
europeu
Enquanto
em Genebra as entidades denunciam o estado brasileiro, a morte de Marielle foi
uma vez mais mencionada por deputados europeus. Numa declaração conjunta entre
os diferentes comitês do Parlamento Europeu, os deputados "condenam"
o assassinato de Marielle.
"Pedimos
às autoridades brasileiras e à Justiça brasileira que conduzam investigações
imediatas, completas e transparentes sobre o assassinato de Marielle Franco
para identificar todos os responsáveis e os levar a um tribunal
independente", apelam os europeus. "Também pedimos que as autoridades
no Brasil garantam a integridade física e psicológica de defensores de direitos
humanos no Brasil", completam.
O
documento é assinado pelos deputados Ramón Jáuregui Atond, Fernando
Ruas,Francisco Assis e Elisabetta Gardini, líderes de delegações dentro do
Parlamento Europeu responsável por relações com a América Latina e sobre
direitos das mulheres.
ESTADÃO
conteúdo
Correio
do Povo
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