sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Macron convoca G7 para discutir queimadas na Amazônia

Líderes se reúnem a partir de sábado no famoso balneário francês de Biarritz

Imagem de satélite divulgada hoje pela Nasa mostra focos de incêndio na Amazônia em diversos Estados brasileiros
Imagem de satélite divulgada hoje pela Nasa mostra focos de incêndio na Amazônia em diversos Estados brasileiros 

O presidente francês Emmanuel Macron convocou nesta quinta o G7, grupo de potências globais composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, para ter uma discussão de emergência sobre as queimadas na Amazônia. "Nossa casa está pegando fogo. Literalmente. A floresta amazônica — o pulmão do planeta que produz 20% do nosso oxigênio — está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa situação emergencial em dois dias", escreveu em seu Twitter o chefe do Palácio dos Eliseus.

A cúpula do G7 começa no sábado e segue até segunda no famoso balneário francês de Biarritz, um dos destinos prediletos da realeza europeia e mais recentemente dos surfistas. O local terá grande um esquema de segurança para receber os líder de Estado. Atualmente na presidência do grupo, a França anunciou que ações de preservação ao meio ambiente serão uma das prioridades em seu mandato e propôs a assinatura de uma "Carta de delegação responsável" com compromissos específicos. Também foi lançado, em abril, um rótulo de baixo carbono, apoiado pelo Ministério da Transição Ecológica e Solidária e pelo Ministério da Agricultura.

A floresta amazônica, considerada o pulmão do planeta Terra, sofre desde o final de julho com queimadas que podem ser vistas do espaço, segundo fotos do satélite Aqua, divulgadas pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Estados Unidos, (Nasa), nesta quinta. O problema é recorrente, mas o número de focos cresceu 70% até o dia 18 de agosto neste ano, na comparação com o mesmo período de 2018. Os dados são da medição do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em seu perfil pessoal no Twitter que a Casa vai criar uma comissão externa para acompanhar o problema das queimadas que atingem a Amazônia. Além disso, o parlamentar  informou que também vai realizar uma comissão geral nos próximos dias para avaliar a situação e propor soluções ao governo.

Nesta quinta-feira, ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que países europeus usam o discurso ambientalista como forma de estabelecer barreiras à produção brasileira. "Nós não podemos ser ingênuos. Os europeus usam questão do meio ambiente por duas razões: a primeira, para confrontar os princípios capitalistas. Porque desde que caiu o Muro de Berlim e fracassou a União Soviética, uma das vertentes para as quais a esquerda europeia migrou foi a questão do meio ambiente. E a outra coisa, para estabelecer barreiras ao crescimento e ao comércio brasileiro de bens e serviços", comentou, após participar de um evento privado.

Bolsonaro sugere ação de ONGs

O presidente Jair Bolsonaro disse nessa quarta-feira que o aumento de queimadas registrado nos últimos dias pode ser resultado de ação criminosa. Para o chefe de Estado, elas podem ser uma reação à suspensão de repasses do governo para organizações não governamentais (ONGs) e a verbas de países para o Fundo Amazônia, projeto de cooperação internacional para preservação da floresta. Os principais doadores do fundo, Alemanha e Noruega, anunciaram a suspensão de seus repasses após a divulgação das taxas de desmatamento na região.


Por AFP e Correio do Povo

Nenhum comentário:

Postar um comentário