Após
envolvimento na Lava Jato, ex-ministro do Turismo pediu demissão nessa
quinta-feira
Ex-ministro do Turismo pediu demissão nessa
quinta-feira | Foto: José Cruz / Agência Brasil / CP
A Suíça
transferiu ao Brasil todos os documentos e extratos bancários envolvendo o
ex-ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (RN). Ele pediu demissão na quinta,
do cargo depois de ter sido informado que os dados sobre sua conta bancária
no país europeu já eram de conhecimento dos investigadores da força-tarefa da
Operação Lava Jato.
Na
Europa, fontes próximas ao caso confirmaram ao Estado que Henrique Alves
manteve uma conta com depósitos que variavam entre US$ 700 mil e US$ 1 milhão.
O dinheiro está bloqueado, mas o banco não teve seu nome revelado pelas
autoridades do país. Alves foi o terceiro ministro da gestão de Michel
Temer a cair e, em uma carta, explicou que não queria criar
"constrangimentos" para o presidente em exercício Michel Temer.
A
investigação começou em Berna, na Suíça, sob a suspeita de que a conta tenha
sido alimentada por recursos de propinas. A conta de Alves, porém, é uma das
mais de mil contas hoje bloqueadas pelos suíços em seus bancos locais
relacionadas com a Lava Jato.
Mas, para
os suíços, o caminho adotado foi o mesmo seguido no caso do deputado federal
afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para a procuradoria suíça, não faria sentido
processar o brasileiro, levá-lo a um julgamento em Berna e, em seguida,
jamais conseguir sua punição. O motivo é que o Brasil não extradita seus
nacionais.
A ideia
negociada com os procuradores da República brasileiros foi a de transferir o
caso para o Brasil a fim de que Alves, agora, seja investigado e julgado em seu
próprio País. Para os suíços, a transferência do caso também permitirá que
a Justiça no Brasil possa agir de forma rápida, garantindo assim que as provas
e mesmo os recursos não sejam perdidos.
Henrique
Alves já havia sido citado anteriormente na delação premiada do ex-presidente
da Transpetro, Sérgio Machado, homologada pelo ministro Teori Zavascki, do
Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, o delator da Lava Jato contou que
entregou R$ 1,55 milhão para Alves. Segundo ele, o dinheiro tinha origem em
propinas pagas por empresários que mantinham contratos com a Transpetro.
Os pagamentos teriam sido feitos pela empresa Queiroz Galvão nos anos de 2008
(R$ 300 mil), 2012 (R$ 250 mil) e 2014 (R$ 500 mil) e pela empresa Galvão
Engenharia, em 2010 (R$ 500 mil).
Ainda em
sua delação, Machado afirmou que Henrique Alves "era uma pessoa com quem
sempre manteve relação cordial". Ele afirmou que Alves, então deputado do
PMDB, levou a ele algumas empresas da área de tecnologia ou serviços até a
Transpetro para que Machado as contratasse, mas nenhuma negociação avançou.
"Eu
sempre o ajudava em época de campanha quando ele me ligava pedindo um encontro.
Eu sempre o ajudei por meio de doações oficiais, cujo origem eram vantagens
indevidas pagas pelas empresas contratadas pela Transpetro." Machado
contou que telefonou várias vezes para Alves. Ele afirmou ainda que manteve
encontros com o ex-ministro na sede da Transpetro. Ainda segundo o
delator, quando era preciso fazer a doação oficial, o dinheiro normalmente era
repassado aos partidos, que depois, enviavam o dinheiro aos políticos. Ainda
segundo Machado, "foram repassados ao PMDB pouco mais de R$ 100
milhões cujo origem eram vantagens ilícitas".
Em nota
divulgada na quinta, a assessoria do ex-ministro informou que ele desmente as
acusações de Machado. Sobre as investigações feitas pela Suiça, Alves informou:
"Refuto qualquer ilação a respeito de conta no exterior em meu
nome." A nota do ex-ministro do Turismo prossegue afirmando: "Não fui
citado a prestar esclarecimentos". Alves disse ainda que está
"como sempre estive, à disposição da Justiça, até porque sou o
principal interessado em ver todas essas questões esclarecidas". Por fim,
o político afirmou que acredita "nas instituições do nosso Estado
Democrático de Direito".
ESTADÃO
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Correio do Povo
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