Tenista
testou positivo para substância no Aberto da Austrália, em janeiro do ano
passado
Sharapova é suspensa por dois anos por uso de
meldonium | Foto: Robyn Beck / AFP / CP
A tenista
russa Maria Sharapova foi punida com dois anos de suspensão por testar positivo
para a substância meldonium, um medicamento na lista de substâncias proibidas
desde janeiro deste ano, anunciou nesta quarta-feira a Federação Internacional
de Tênis (ITF).
A
tenista, de 29 anos, e que em março admitiu o uso deste medicamento, anunciou
que vai recorrer da sanção, que considera "extremamente injusta",
ante o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). "Não posso aceitar uma
suspensão extremamente dura de dois anos", escreveu Sharapova em sua
página no Facebook.
A
ex-número um do mundo testou positivo para meldonium em um controle realizado
no Aberto da Austrália, em janeiro passado. Em 7 de março, Sharapova admitiu
ter tomado este medicamento após 1º de janeiro, afirmando ter cometido um erro
ao não verificar a lista das novas substâncias proibidas. O meldonium é um
medicado que protege as células cardíacas e que é vendido nos países do leste
europeu. Um dos seus alegados efeitos é aumentar a resistência ao esforço físico.
Desde que entrou na lista de substâncias proibidas, mais de 200 atletas russos
testaram positivo para a substância.
Erro não
intencional
"O
tribunal, cujos membros foram eleitos pela ITF, concordou que eu não fiz nada
de errado intencionalmente, mas, no entanto, pediu meu afastamento por dois
anos", disse Sharapova. Sharapova também criticou fortemente a Federação
Internacional, que "pediu ao tribunal a minha suspensão por quatro anos -
a sanção solicitada por violação intencional - e o tribunal rejeitou o pedido
da ITF". A confissão da atleta feita em março parece explicar a pena
aplicada usualmente para casos de doping.
A maioria
dos atletas russos que testaram positivo para esta substância tiveram suspensas
provisoriamente a aplicação de sanções, devido a dúvidas sobre o tempo que o
organismo leva para eliminar completamente este medicamento. "Há 10 anos
tomo este medicamento por prescrição do meu médico (...), esta droga não estava
na lista dos produtos proibidos pela Agência Mundial Antidoping, mas as regras
mudaram em 1º de janeiro passado e este medicamento passou a ser um produto
proibido, o que eu não sabia", disse ela, em março.
"Sou
totalmente responsável, eu cometi um erro enorme, recebi um e-mail da Agência
Mundial Antidoping no final de dezembro e não verifiquei a lista para ver se
este medicamento havia entrado", acrescentou, afirmando que tomava
meldonium desde 2006 para tratar uma "deficiência de magnésio, uma
arritmia cardíaca e um caso de diabetes em (sua) família."
Perda de
patrocinadores
Utilizado
principalmente para prevenir ataques cardíacos, o meldonium foi classificado
entre os hormônios e moduladores metabólicos (grupo S4). "Nos termos do
artigo 8.1 do Programa Antidoping do Tênis, um tribunal independente considerou
Maria Sharapova culpada de violação das regras antidopagem do artigo 2.1 do
programa e, consequentemente, os resultados atingidos são eliminados e se
aplica um período de suspensão de dois anos, a partir de 26 de janeiro de
2016", informou a ITF em um comunicado.
Sharapova,
vencedora de cinco Grand Slams e uma das atletas mais bem pagas do mundo,
perdeu a maioria de seus patrocinadores após o anúncio de seu teste positivo. O
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) também decidiu de
tê-la como uma "embaixadora da boa vontade", uma posição honorária
que ocupava há nove anos.
O
diretor-executivo da WTA, Steve Simons, declarou que a agência que administra o
circuito de tênis feminino espera uma rápida resolução do caso. Apesar da
suspensão, Sharapova havia sido selecionada para participar da equipe olímpica
de tênis de seu país.
AFP
Correio
do Povo
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