Autor
de atentado que matou 50 pessoas foi chamado de "soldado do califado"
Rádio do Estado Islâmico reivindica massacre de
Orlando | Foto: Sandy Huffaker / AFP / CP
A rádio
oficial do grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta
segunda-feira o massacre de Orlando, na Flórida, Estados Unidos, cometido por
um "soldado do califado", que deixou 50 mortos em
uma boate gay.
"Deus
permitiu ao irmão Omar Mateen, um dos soldados do califado nos Estados Unidos,
lançar uma ghazwa (termo islâmico para designar um ataque) em uma discoteca de
sodomitas na cidade de Orlando, conseguindo matar e ferir mais de 100
deles", afirmou o boletim da Rádio Al-Bayan do EI.
Terrorismo
volta aos EUA com massacre
A
estratégia antiterrorista dos Estados Unidos voltou a ser questionada
depois do massacre de 50 pessoas em uma boate gay de Orlando, executado na
madrugada de domingo por um homem conhecido pelo FBI por seus vínculos com
o islamismo radical.
O ataque
aconteceu na discoteca Pulse, que celebrava uma noite latina com apresentações
de drag-queens. As autoridades da cidade do estado da Flórida já conseguiram
identificar 21 vítima fatais, em sua maioria com sobrenomes latinos.
Um dos
feridos, Ángel Colón Jr, de 26 anos, descreveu ao pai um agressor frio, que
atuou de forma metódica até a invasão do local por uma equipe das forças
especiais, que enfrentou o criminoso até sua morte. "Passava
diante da cada pessoa que estava deitada no chão e atirava, para ter certeza da
morte", disse o pai, Ángel Colón, ao sair do hospital Orlando Regional
Medical Center.
O
depoimento lembra o que aconteceu em 13 de novembro do ano passado na casa de
espetáculos Bataclan de Paris, onde 90 pessoas morreram em uma tomada de reféns
seguida por uma invasão das forças de segurança.
No massacre
de Orlando morreram pelo menos 50 pessoas e outras 53 ficaram
feridas. "Sabemos o suficiente para dizer que este foi um ato de
terrorismo e um ato de ódio", disse o presidente Barack Obama.
O FBI
prossegue com as investigações sobre o autor do ataque, Omar
Mateen. Líderes muçulmanos dos Estados Unidos, o Papa Francisco e
governantes de todo o mundo condenaram o ataque, o mais grave ato terrorista em
território americano desde os atentados de 11 de setembro de 2001.
O FBI
admitiu que Omar Mateen, de 29 anos, havia sido investigado por seus contatos
com um terrorista americano. O agente especial do FBI Ronald Hopper também
disse que antes de atacar a boate gay de Orlando, Mateen ligou para o número de
emergência 911 e expressou lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI).
Nascido
em Nova Iorque em 1986, Mateen é filho de afegãos e morava em Port St. Lucie,
Flórida, a duas horas de carro de Orlando O pai afirmou que o filho agiu
motivado pela homofobia. "Isto não tem nada a ver com
religião", disse ao canal NBC News.
FBI
investiga
A
ex-esposa de Mateen, que se divorciou em 2011, disse que ele era violento e
controlador, mas não especialmente religioso. Mas o agente Hopper do FBI
disse que a conduta de Mateen provocou suspeitas nos últimos anos.
Em 2013
ele foi investigado por ter feito comentários a colegas de trabalho que davam a
entender sua familiaridade com o terrorismo. Em 2014 voltou a ser
interrogado por investigadores por sua relação com Moner Mohammad Abusalha.
Abusalha
ganhou notoriedade quando se tornou o primeiro cidadão americano a cometer um
ataque suicida na Síria. Ele era considerado um integrante de uma organização
aliada da Al-Qaeda. "Determinamos que o contato havia sido mínimo e
naquele momento não constituía uma relação propriamente dita ou uma ameaça",
afirmou Hopper.
Resgate
de reféns
O
massacre de Orlando aconteceu no momento em que a campanha para a eleição
presidencial nos Estados Unidos, em novembro, começa a ficar mais intensa.
A
candidata democrata Hillary Clinton adiou um evento de campanha previsto com o
presidente Obama e escreveu no Twitter que seus pensamentos "estão com
todos os afetados por este ato horrível".
Seu rival
republicano Donald Trump não perdeu tempo em afirmar que tem razão quando diz
que a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos deve ser proibida. Trump
pediu a Obama que renuncie por não ter atribuído o massacre ao "islã
radical" e programou um discurso sobre segurança para esta segunda-feira.
A
tragédia na boate Pulse durou três horas a partir das 2h (3h de Brasília) de
domingo, quando o barulho dos tiros começou a ressoar entre a música
alta. A polícia informou que o criminoso tinha um fuzil e uma pistola.
Imediatamente,
um policial que trabalhava no local respondeu e, ao lado de outros dois
agentes, trocou tiros com Mateen.
Uma
viatura policial avançou contra uma parede e invadiu o local. Mais agentes
entraram no tiroteio, que terminou com a morte do criminoso.
As
autoridades ainda não determinaram quantas pessoas foram mortas por Mateen ou
se algumas foram vítimas do fogo cruzado durante o ataque.
Cenas de
terror
As
testemunhas descreveram o cenário, com corpos caindo e sangue por todos os
lados. "Era um completo caos", disse Janiel Gonzalez.
"As pessoas gritavam 'socorro, socorro, estou preso' e umas pisavam
nas outras", afirmou o jovem.
O
massacre, que aconteceu no mês do Orgulho Gay nos Estados Unidos, deixou
sombras sobre a tradicional desfile gay de Los Angeles, que aconteceu como
estava previsto, mas com a multidão abatida pela tragédia de Orlando.
AFP
Correio
do Povo
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