Foram 11 votos a favor do relatório e 9 votos contrários
Conselho de Ética aprova parecer pela cassação
de Eduardo Cunha | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / CP
Num dos
processos mais longos da história da Câmara, o Conselho de Ética da Casa
aprovou nesta terça-feira o parecer que pede a cassação do mandato do
presidente afastado da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O relatório do
deputado Marcos Rogério (DEM-RO) teve 11 votos a favor (incluindo do relator) e
9 contra. A votação nomimal teve início por volta das 17h33min. Um dos votos
mais aguardados, o da Tia Eron (PRB-BA) foi a favor do relatório contra Eduardo
Cunha. "Não posso absolver o representado. Quero votar sim com o
relatório", disse.
Argumentos
do relator
O
deputado Marcos Rogério, relator do processo contra o presidente afastado
Eduardo Cunha no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, afirmou que não há
como concordar com o voto em separado apresentado pelo deputado José Carlos
Bacelar (PTN-BA), que pede a suspensão do mandato de Cunha por 90 dias.
Rogério
afirmou que mantém, na íntegra, seu relatório apresentado pela cassação do
mandato do deputado Eduardo Cunha por quebra de decoro parlamentar.
“Em
termos técnicos, os trustes criados são empresas de papel, de laranjas de luxo,
que nada afasta o deputado de se utilizar de engenharia financeira e dissimular
recebimento de propina. Creio que a única sanção aplicável é a perda do
mandado”, reafirmou.
Defesa de
Cunha
O
advogado de defesa de Cunha, Marcelo Nobre, afirmou que as 90 páginas do
relatório de Marcos Rogério não apresentam provas. “Eu não preciso de 90
páginas, preciso de uma linha: cadê o número da conta, do nome do banco e em
nome dele [de Cunha]. Cadê a conta?”, enfatizou.
Nobre
reafirmou o que dizia desde o início da representação: de que o processo é
natimorto. A defesa destacou que os delatores que vieram ao Conselho de Ética
não confirmaram a existência de conta no exterior em nome de Eduardo Cunha.
“Delator não faz prova. O juiz Moro condenou o delator que falou e não provou.
E esses delatores terão que provar.
Notificação
do BC
O relator
Marcos Rogério (DEM-RO), de posse da notificação do Banco Central onde consta
que Cunha omitiu os valores do período de 31 de dezembro de 2007 a 31 de
dezembro de 2014, resolveu que não incluir os documentos no processo em função
de prazos regimentais.
“Devolvo
os documentos e não constarão do processo pelos óbices intransponíveis. Fatos
que são das circunstâncias do processo não deixam de ser conhecidos, e o
convencimento se forma de acordo com os autos e os acontecimentos”, afirmou.
A
notificação foi entregue ao presidente do Conselho nesta manhã pelo chefe da
assessoria parlamentar do BC, David Falcão. O mesmo documento foi encaminhado à
13ª Vara de Curitiba, ao Supremo Tribunal Federal e ao procurador-geral da
República, Rodrigo Janot.
Duelo
entre deputados
O
deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirmou que espera que o Conselho de Ética vote
pela cassação de Eduardo Cunha. Delgado citou documento do procurador Deltan
Dallagnol, que afirmou que “os criminosos modernos usam offshores e truste”.
Ele criticou ainda parlamentares que defendem o presidente afastado. “Não sei o
que os move para defender o indefensável. As motivações não são aquilo que move
a sociedade brasileira”, disse o parlamentar.
O
deputado Carlos Marun (PMDB-MS) defendeu Cunha e disse que as acusações contra
ele são desprovidas de provas. “O relator não afirma que o truste é conta. Faz
uma série de conjecturas. Truste não é conta. Tanto não há provas que a Polícia
Federal fez busca e apreensão em todos os endereços de Eduardo Cunha e não
resultou em nada”, disse.
Veja como
votaram os deputados
SIM: 11 votos
Betinho Gomes (PSDB-PE)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Leo de Brito (PT-AC)
Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo
Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS)
Paulo Azi (DEM-BA)
Sandro Alex (PPS-PR)
Tia Eron (PRB-BA)
Valmir Prascidelli (PT-SP)
Zé Geraldo (PT-BA)
Wladimir Costa (SD-PA)
NÃO: 9
votos
Alberto Filho (PMDB-MA)
André Fufuca (PP-MA)
João Bacelar (PR-BA)
Laerte Bessa (PR-DF)
Mauro Lopes (PMDB-MG)
Nelson Meurer (PP-PR)
Sérgio Moraes (PTB-RS)
Washington Reis (PMDB-RJ)
Wellington Roberto (PR-PB)
Fonte: Correio do
Povo
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