Gil David Freitas Souza, tinha 49 anos e faleceu há quatro meses.
Exames físicos não apontaram nenhuma anormalidade com o cão.
Sombra foi encaminhado à
Codevida no início de junho (Foto: Nirley Sena / Jornal A Tribuna de Santos)
Um cachorro da raça boxer
criado por uma família de Santos, no litoral de São Paulo, parou de comer e
entrou em estado de depressão após a morte do seu dono. O empresário Gil David
Freitas Sousa, então com 49 anos, e o cão Sombra, eram inseparáveis, tanto que
quatro meses após a morte do dono, o cão ainda não superou a perda e luta pela
vida.
Embora
o cão não tenha um diagnóstico veterinário de quadro depressivo confirmado,
agentes da Coordenadoria de Proteção à Vida Animal de Santos (Codevida)
acreditam que a situação é semelhante a de um a pessoa com depressão. “Ele nem
fixa o olhar em nós. É triste demais”, comenta Leila Abreu, responsável pela
Codevida, onde o animal está sendo acompanhado diariamente. Os veterinários
descobriram uma anemia profunda, situação que pode ter se agravado após a morte
de Gil.
Para
a filha do empresário, Letícia Sousa, Sombra está com saudade do amigo que
perdeu. “A morte do meu pai foi inesperada. O Sombra também sentiu muito, visto
que faz quatro meses e ele nunca ficou tanto tempo sem ver o meu pai. Ele está
triste, abatido e nem a presença do meu avô o alegra”, conta. Gil David faleceu
após insuficiência respiratória, seguida de uma parada cardíaca.
Antes
forte e saudável, como a maioria dos cães da raça boxer, Sombra está subnutrido
e chegou aos 15 kg, deixando, inclusive, as costelas marcadas pela fina camada de
pele. Sombra também tem dificuldade para se manter de pé. Segundo a família,
ele parou de comer, toma apenas água e, quando come algo, mesmo que pouco, é o
suficiente para vomitar. “Meu avô ainda leva comida para ele, já que ele não
come somente ração”, aponta.
Mesmo
com a visita frequente dos familiares e acompanhamento veterinário diário, o
animal não engorda. O caso chamou atenção da equipe da Codevida, já que o cão
tem dificuldade até para levantar a cabeça. "O novo dono dele vem
visitá-lo. O Sombra já fez até raio-x cardiológico e não tem nada. O coração e
os rins estão bons. Ele come cinco ou seis vezes por dia e não engorda, só fica
com um olhar parado, parece que não ver viver. É impressionante. A gente
conversa com ele e faz até oração reiki, mas ele não volta o olhar pra
gente", relata Leila.
Sombra chegou à família
Sousa ainda filhote e depois foi levado à transportadora (Foto: Arquivo
Pessoal)
Conhecido
Sombra vive com a família Sousa há cerca de 14
anos. Em um primeiro momento, o filhote recém-adotado foi levado para a casa do
empresário, onde também viviam os filhos e a esposa de Gil. A filha recorda que
o cão costumava se esconder debaixo dos armários e atrás da máquina de lavar,
porém, com o tempo ele cresceu e “perdeu a noção do tamanho”.
Gil David tinha 49 anos e
faleceu há quatro meses
(Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)
“Ele
tentava fazer as mesmas coisas de antes. Meu pai já trabalhava na
transportadora do meu avô e levou ele para lá pra ver se acostumava e não deu
outra. Ele foi adotado pelo meu pai, meu avô, pelos funcionários e pela rua
inteira. No começo comia só ração, mas como andava pela rua toda, os donos dos
bares davam salsicha para ele e com isso ficou mal acostumado. Só comia ração
misturada com comida e vivia seguindo meu pai e meu avô quando os dois tomavam
café”.
Essa
não é a primeira vez que Sombra sente a ausência de Gil. No início do ano
passado, o empresário também ficou doente e precisou se afastar do trabalho por
cerca de um mês. No entanto, segundo a filha, o pai jamais deixou de visitar o
amigo. “Quando ele aparecia lá era a maior festa. A morte do meu pai foi
inesperada para todos e o Sombra também sentiu. Saudade do tempo que não volta
mais e acho que o Sombra sente o mesmo”, recorda a filha.
Orion Pires
Do G1 Santos
Nenhum comentário:
Postar um comentário