segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Nove pessoas morrem pisoteadas durante baile funk em São Paulo

Tragédia aconteceu na comunidade Paraisópolis na madrugada deste domingo


Um baile funk em Paraisópolis, uma das maiores comunidades da cidade de São Paulo, terminou com ao menos com nove pessoas morta na madrugada deste domingo. Um tumulto ocorreu depois de uma perseguição policial seguida de troca de tiros, segundo a Polícia Civil, e as vítimas foram pisoteadas. Policiais do 16º Batalhão Metropolitano que participavam da Operação Pancadão no bairro reagiram após dois homens em uma moto efetuarem disparos de arma de fogo e os seguiram até o local da festa. Os agentes foram recebidos com pedras e garrafas, e usaram “munição química” para dispersar a multidão.

Por volta das 4h, cerca cinco mil pessoas participavam do baile. Ao todo, nove pessoas pisoteadas foram levadas ao pronto-socorro do Hospital do Campo Limpo, onde os médicos constataram as mortes. As identidades das vítimas – uma mulher, sete homens e um adolescente de 14 anos – ainda não foram divulgadas. Outras sete foram socorridas com lesões e encaminhadas ao AMA Paraisópolis. A polícia diz que não houve disparo de arma de fogo pelos policiais e nenhum dos dois suspeitos foi preso depois da perseguição.

"Eles usaram as pessoas como escudos humanos para tentar impedir a ação da polícia. As pessoas foram na direção (dos policiais) arremessando pedras e garrafas. Houve a necessidade de munição química. Foram quatro granadas, duas de efeito moral e duas de gás lacrimogêneo, além de oito disparos de bala de borracha para dispersar as pessoas que estavam no local colocando a vida dos policiais e dos frequentadores", diz o porta-voz da PM, o tenente-coronel Emerson Massera.

Ao todo, 38 policiais participaram da ação. "Não houve tentativa de dispersar toda aquela multidão, tanto que o baile permaneceu até 10 horas. (As pessoas) não foram encurraladas, não havia objetivo de encurralar. Uma pessoa tropeçou e caiu. Outras estavam tentando sair e pisotearam", completou. O tenente-coronel defendeu o uso de bala de borracha na operação. Segundo ele, em ocasiões como essa, a recomendação é o uso progressivo da força "Começa com a verbalização, depois a contenção com munições químicas e, se necessário for, o elastômero. É claro que é um dos últimos recursos. Ali é possível que tenha sido empregada de maneira correta", afirmou.

Massera afirma que a investigação ainda vai apontar se houve falhas na ação. Segundo ele, vídeos reunidos pela corporação ainda serão analisados, durante o inquérito policial-militar, para apontar se as gravações realmente se referem a esse baile funk e se houve excessos. Algumas imagens, de acordo com Massera, "sugerem abusos e ação desproporcional por parte da polícia", mas ainda não é possível apontar responsabilidades. "O rigor na apuração vai responsabilizar quem cometeu algum excesso, quem cometeu algum abuso."

O governador de São Paulo, João Doria, manifestou-se pelas redes sociais e lamentou o ocorrido. "Lamento profundamente as mortes ocorridas no baile funk em Paraisópolis nesta noite. Determinei ao Secretário de Segurança Pública, General Campos, apuração rigorosa dos fatos para esclarecer quais foram as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio", escreveu pelas redes sociais.

Comunidade reage


O advogado e membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe ) Ariel de Castro Alves afirma que "aparentemente, foi uma ação desastrosa da PM que gerou tumulto e mortes”. "Todas as circunstâncias precisam ser apuradas, se de fato houve uma perseguição policial contra suspeitos ou se isso foi inventado como um álibi dos policiais", afirmou o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe). "Mas, mesmo tendo perseguição, não se justifica esse tipo de ação. Deveria ter um planejamento maior, já que ali estavam cinco mil pessoas. A polícia precisa estar preparada para evitar tragédias, desastres, mortes, tumultos, como esse que ocorreu em Paraisópolis", disse.

Líder comunitário em Paraisópolis, Gilson Rodrigues conta que "é comum que a polícia jogue bombas durante os bailes" que acontecem nos fins de semana na comunidade.  "É uma enorme irresponsabilidade da PM fazer isso. Afinal, são jovens que querem se divertir, que não têm acesso à cultura e arrumaram um jeito de se divertir. O bairro ficou famoso, tem pobres, mas também tem ricos que frequentam (o baile)."Ele acrescenta que ainda não tem informações se as vítimas são moradores do bairro, já que esse eventos costumam atrair público de fora. 

A Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Autarquia Hospitalar Municipal, informou que 10 pessoas, que estavam nesta ocorrência, deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento e no Pronto Socorro do Hospital do Campo Limpo. Uma permanece sendo atendida.


Por Correio do Povo, R7 e AE

Nenhum comentário:

Postar um comentário