Republicano contraria pesquisas e provoca
reviravolta ao derrotar Hillary Clinton
Republicano contraria pesquisas e provoca
reviravolta ao derrotar Hillary Clinton
Foto: Chip Somodevilla / AFP / CP
O magnata
Donald Trump, sem nenhuma experiência política, venceu a eleição presidencial
dos Estados Unidos, superando a democrata Hillary Clinton, um terremoto
político que leva o país e o mundo a um período de incerteza, que já provocou
uma queda brutal nos mercados.
"Serei
o presidente de todos os americanos", anunciou Trump exultante no discurso
da vitória, ao lado da mulher, Melania Trump, e de seus filhos. "Isto foi
muito duro", completou, ao agradecer à família. "Chegou o momento de
os Estados Unidos fecharem as feridas da divisão, devemos nos unir: aos
republicanos, democratas e independentes desta nação afirmo que é hora de
união", disse Trump.
Em uma
mensagem à comunidade internacional, que acompanhou com apreensão a eleição
americana, Trump disse: "Vamos tratar a todos com justiça. Todos os povos
e todas as nações. Buscaremos terreno comum e não hostilidade; associação e não
conflito".
O
presidente eleito americano afirmou que a adversária, Hillary Clinton,
telefonou para felicitá-lo por sua vitória. Trump disse que os Estados Unidos
têm uma "dívida de gratidão" com Clinton. Pouco antes, o diretor de
campanha de Hillary, John Podesta, anunciou que a ex-secretária de Estado não
discursaria porque até o momento considerava a eleição indefinida. Alguns minutos
depois, no entanto, a imprensa revelou que ela havia ligado a Trump para
reconhecer a derrota.
Até às 7h
desta quarta-feira, Trump tinha 279 votos no colégio eleitoral, de um total de
538, contra 218 de Hillary. Para assegurar a vitória era necessário alcançar 270.
Um a um, após meses de uma campanha repleta de insultos e ataques, o
bilionário de 70 anos, conhecido por sua rede de hotéis cassinos, venceu nos
estados-chave da Flórida, Pensilvânia e Ohio, que optaram pelo polêmico
candidato republicano, acusado de ser xenófobo e sexista, para suceder o
democrata Barack Obama.
Os
mercados financeiros, que tinham uma clara preferência pela candidata democrata
Hillary Clinton, fecharam em forte queda na Ásia e operavam em baixa na Europa.
Hillary
Clinton, que sonhava em se tornar a primeira mulher presidente dos Estados
Unidos aos 69 anos, também venceu em estados-chave, como Virginia e Nevada,
além dos já esperados Califórnia e Nova York. Mas isto não foi
suficiente. Para garantir a presidência, o candidato precisava alcançar o
número mágico de 270 votos no colégio eleitoral, obtidos, na realidade, em 51
mini eleições em cada estado e na capital, Washington.
"Estou
devastada, perdi a fé em meus compatriotas, não sei o que nos espera no futuro,
me sinto perdida", afirmou Kate Kalmyka, uma advogada de 36 anos que
acompanhava, indignada, os resultados em um bar de Nova York.
Divisões
Poucas
vezes nas últimas décadas uma eleição presidencial americana foi disputada por
dois candidatos tão antagônicos, com visões tão distintas. A mensagem contra o
"establishment" representado por Hillary Clinton e seu marido, o ex-presidente
Bill Clinton, funcionou para o republicano.
Trump
soube captar o mal-estar profundo com as instituições e os políticos
tradicionais. "Votei
em Trump e contra o sistema. Trump diz muitas bobagens porque ele não é um
político, não está adestrado. Mas o mais importante para o país é o comércio,
as relações internacionais e a economia. E as pessoas estão quebradas, precisam
de uma mudança", disse Abteen Daziri, de 38 anos e de origem iraniana.
Depois de
693 dias de drama, insultos e escândalos, a campanha deixou uma população
profundamente dividida e exausta. De acordo com uma pesquisa recente, 82% dos
americanos se declararam cansados.
Os dois
candidatos eram como água e azeite: a advogada Hilarry Clinton é uma figura
política há 25 anos, detestada por metade dos americanos, que duvidam de sua
honestidade. Esposa do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), foi
primeira-dama, senadora e depois secretária de Estado do presidente Barack
Obama.
Trump
também soube interpretar como ninguém os temores de uma classe média branca
frustrada em um mundo em mutação. Com seu
discurso anti-imigração, impulsivo e corrosivo, denunciado por várias mulheres
que afirmaram ter sido apalpadas por ele, Trump marcou para sempre um estilo de
fazer campanha política. A liderança do Partido Republicano praticamente deu as
costas a ele.
A
trajetória de Hillary Clinton como candidata democrata rumo à Casa Branca foi
ofuscada pela investigação do FBI contra ela pelos e-mails enviados a partir de
um servidor privado no momento em que era secretária de Estado. O medo de
uma vitória de Trump, que chamou os mexicanos de "estupradores" e
"narcotraficantes" e que prometeu construir um muro nos 3.200 km de
fronteira com o México, além de deportar 11 milhões de pessoas sem documentos
no país, mobilizou muitos latinos, a principal minoria do país. Mas a
mobilização não teve o efeito esperado por muitos, já que o candidato
republicano venceu na Flórida, que tem uma grande comunidade latina, em um
golpe para as aspirações de Hillary Clinton.
Os
desafios são enormes e atualmente existe uma grande incerteza no cenário
político e diplomático, como as relações com a Rússia ou o envolvimento dos
Estados Unidos no conflito da Síria. Na economia, ele terá que lidar com o
Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos (TTIP) ou o TPP. Outra
incógnita diz respeito à normalização das relações com Cuba, iniciada pelo
democrata Barack Obama.
AFP
Correio
do Povo
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