Outros 17 soldados, incluindo um polonês,
ficaram feridos
Atentando foi reivindicado pelos talibãs na
maior base militar dos EUA no Afeganistão
Foto: Noor Mohammad / AFP / CP
Foto: Noor Mohammad / AFP / CP
Quatro
americanos, entre eles dois soldados, morreram neste sábado em um atentado com
bomba reivindicado pelos talibãs na maior base militar dos Estados Unidos no
Afeganistão, perto de Cabul. "Um homem-bomba matou dois soldados
americanos e dois funcionários terceirizados americanos", declarou o secretário
de Defesa americano Ashton Carter, em um comunicado.
"A
explosão feriu outros 16 soldados americanos e um soldado polonês que
participava na missão da Otan" no Afganistán", disse ainda,
acrescentando estar "profundamente triste" com a notícia. "As
forças de proteção são uma prioridade para nós no Afeganistão e investigaremos
esta tragédia para determinar que medidas podemos tomar para melhorá-las",
destacou.
Esse
ataque acontece quando os rebeldes islamitas intensificam seus ataques em todo
o país antes da chegada do inverno, que vem acompanhada por uma trégua forçada
nos combates. Na véspera, ao menos seis pessoas morreram em outro ataque talibã
contra o consulado alemão em Mazar-i-Sharif, no norte do Afeganistão, uma ação
em represália pela morte de civis em um bombardeio da Otan na semana passada.
O ataque
com caminhão-bomba, que provocou uma explosão de grande potência, deixou seis
mortos, segundo o hospital local que recebeu os corpos. A polícia provincial,
que informou sobre um balanço de sete mortos, disse que duas vítimas morreram
por um erro das forças alemãs, que as confundiram com os criminosos. No ataque
128 pessoas também ficaram feridas, entre elas 10 crianças.
Grandes
perdas
O
artefato deste sábado explodiu na base área de Bagram e a Otan, em um comunicado,
informou que uma investigação foi aberta. O porta-voz dos talibãs, Zabihula
Mujahid, por sua vez, reivindicou o ataque na base e afirmou que infligido
"grandes perdas aos invasores americanos".
Waheed
Sediqi, porta-voz do governo da província de Parwan, onde Bagram fica
localizado, declarou que um homem-bomba se fez explodir perto de uma cantina no
interior da base. "Ignoramos a identidade das vítimas, mas o agressor era
um dos empregados afegãos", declarou à AFP.
A
explosão evidencia a degradação da segurança quase dois anos depois do fim das
operações da Otan no Afeganistão e em um momento em que as forças afegãs têm
dificuldade para frear os insurgentes islamitas. Desde a retirada da maioria
das tropas ocidentais no final de 2014, a operação "Apoio Decidido"
conta com 12 mil homens, entre eles 10 mil americanos, que se encarregam de
formar, aconselhar e assistir os soldados afegãos em sua luta contra os talibãs
e o grupo Estado Islâmico (EI), que estão principalmente no leste do país.
Explosão
potente
Segundo o
governador do distrito de Bagram, Abdul Shakoor Quddusi, a explosão foi potente
e sacudiu a região. O general americano John Nicholson, comandante da operação
da Otan no Afeganistão, expressou seus pêsames às famílias das vítimas.
A base de
Bagram, situada a 50 km de Cabul, é alvo de frequentes ataques dos talibãs,
apesar das fortes medidas de segurança. Em dezembro, um camicase talibã
explodiu sua moto perto da entrada, matando seis soldados americanos, em um dos
ataques contra militares estrangeiros mais violentos de 2015 no Afeganistão.
A
intensificação dos ataques acontece pouco depois das eleições presidenciais
americanas. A campanha presidencial abordou pouco a situação do Afeganistão,
apesar de ser um dos assuntos mais urgentes para o futuro presidente Donald
Trump.
A
intervenção americana, iniciada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001,
concluiu oficialmente no final de 2014, mas Barack Obama, eleito em 2008 com a
promessa de por fim às guerras no Iraque e Afeganistão, teve de modificar
várias vezes o calendário de retirada das tropas.
AFP
Correio
do Povo
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