Presidente do Senado comentou a cassação do
ex-deputado dizendo que quem planta vento, colhe tempestade
Eduardo Cunha rebate Renan Calheiros | Foto:
Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
Eduardo
Cunha não deixou barato a fala de Renan Calheiros acerca da sua cassação. Em nota
oficial publicada na sua página no Facebook, o ex-deputado respondeu ao
presidente do Senado na mesma moeda. Ele disse que espera que os ventos que
chegam no presidente do Congresso ( sobre denúncias e delações) não se
transformem em tempestade.
" Ressalto
que na ação penal número 982 do Supremo Tribunal Federal, decorrente da
denúncia aceita baseada apenas na palavra de delatores sobre sondas da
Petrobras, os mesmos delatores, nas suas delações, acusam como beneficiários
das supostas vantagens indevidas montando a US$ 6 milhões os senadores Renan
Calheiros, Jader Barbalho, Delcídio do Amaral e Silas Rondeau. Entretanto, a
ação penal que deveria ser indivisível, segundo o Código Penal, foi aberta
apenas contra mim. No mais, com todo desejo de sucesso ao presidente do
Senado no comando da Casa, e acreditando na sua inocência, espero que os ventos
que nele chegam através de mais de uma dezena de delatores e inquéritos no STF,
incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade. E que ele consiga
manter o cálice afastado dele".
Cunha
disse que as denúncias envolvendo parlamentares teriam um tratamento
diferenciado no Supremo Tribunal Federal (STF). "Tem uma denúncia
contra o presidente do Senado Federal há três anos e seis meses e não acontece
nada", disse Cunha, ao afirmar que a denúncia contra ele foi aceita de
maneira mais célere do que o normal pelo STF.
Cunha é
réu em dois processos no Supremo e é alvo de investigação em outras sete
frentes. Já Renan não é réu, mas é investigado em 12 inquéritos na Suprema
Corte.
Mais cedo,
o presidente do Congresso, disse que "quem planta vento, colhe tempestade.
Não sou especialista em Cunha, não gostaria nem de falar sobre isso. Afasta
esse cálice de mim", reforçou. Renan tentou se distanciar da figura de
Eduardo Cunha, apesar de ambos serem do PMDB.
Congresso
melhor sem Cunha
Renan
considera que a agenda do Congresso vai melhorar com o afastamento de Cunha e a
gestão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Do ponto de vista
da agenda as coisas vão melhorar", avaliou. Ele está otimista em relação
às mudanças aprovadas nesta terça-feira pela Comissão e Constituição e Justiça
do Senado (CCJ), a respeito da cláusula de desempenho e fim das coligações.
"Com o Rodrigo Maia vamos ter condições de que essa reforma possa ser aprovada
(também) na Câmara", disse.
Ainda na
nota, Cunha contrapõe Renan Calheiros no que diz respeito a sua atuação do
Congresso.
"Ao
contrário do dito pelo presidente do Senado, durante o meu período no
comando da presidência da Câmara, não houve matérias de caráter relevante
oriunda do Senado que deixássemos de apreciar em plenário. Ao contrário o
Senado, que deixou de apreciar vários temas importantes aprovados na Câmara,
dentre outros, projeto de terceirização, redução da maioridade penal, correção
do FGTS dos trabalhadores e PEC da reforma política, no qual apenas foi
destacada a janela partidária deixando-se de apreciar temas como fim da
reeleição e financiamento de campanha. Esperamos que o Senado aprecie essas
matérias".
Fonte:
Correio do Povo
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