quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Famílias que precisaram fugir de área indígena em Água Santa devido a conflitos pedem ajuda em Passo Fundo


   Créditos: João Victor Lopes/Rádio Uirapuru

Recentemente, a Rádio Uirapuru noticiou que a cidade de Água Santa, distante 53 quilômetros de Passo Fundo, está vivendo dias e noites de terror. Emboscadas a tiros, brigas com facadas, pedradas e incêndios de casas viraram rotina entre grupos de índios que vivem no município.

Segundo informações, as desavenças opõem dois grupos de caingangues da aldeia Carreteiro, uma área de 104 hectares, no interior da cidade. Um deles é liderado pelo cacique Getúlio Daniel e o outro por ex-aliados dele. O estopim foi quando uma turma de dissidentes se rebelou e acabaram expulsos da aldeia.

Nesta quinta-feira (27), cerca de 40 famílias que deixaram a área indígena vieram até Passo Fundo e realizaram um protesto pacífico em frente a Delegacia da Polícia Federal para solicitar apoio por parte das autoridades. A Polícia Federal já está, inclusive, investigando se a discórdia foi motivada por arrendamentos de terras e indicações de cargos nas escolas e postos de saúde próximos. Um inquérito foi concluído e entregue à Justiça Federal.

Em entrevista na Uirapuru, José Daniel, um dos líderes das famílias que estavam protestando, afirmou que os fatos estão acontecendo há mais de 54 dias. Segundo ele, há atualmente uma organização criminosa dentro da aldeia Carreteiro, que chegou a atacar famílias, atirar contra pessoas e casas. Por isso, para não correr o risco de perder vidas, eles resolveram deixar a área.

Segundo José, o atual líder indígena não aceitou uma maior distribuição de terras e também tem o desejo de ser cacique da aldeia, porém, a maioria não o aceita desempenhando esse papel. Devido a isso, o homem contratou pessoas de fora para atacar as pessoas que residiam no local.

Ainda de acordo com José, as famílias que deixaram a aldeia estão vivendo de doações, porque tudo que tinham ficou onde moravam.

O protesto foi feito para que o problema seja resolvido o mais rápido possível. Além da Polícia Federal, as famílias também pediram ajuda para o Ministério Público e para a Funai. O líder indígena espera que investigações mais profundas sejam feitas e eles possam voltar aos seus lares e suas vidas de forma normal o quanto antes.

Famílias que precisaram fugir de área indígena em Água Santa devido a conflitos pedem ajuda em Passo Fundo




Por Gabriel Nunes
Rádio Uirapuru | Passo Fundo
Fotos: João Victor Lopes/Rádio Uirapuru

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