Família informou morte do boxeador aos 74 anos, após 32 de
luta contra o Mal de Parkinson
Astro ganhou cedo o apelido de "The
Greatest" | Foto: CP Memória
A lenda
americana do boxe Muhammed Ali, um ícone do século XX, morreu na noite dessa
sexta, aos 74 anos, em um hospital de Phoenix (Arizona). "Após 32 anos de
luta contra o Mal de Parkinson, Muhammad Ali morreu", disse seu porta-voz,
Bob Gunnell. "
Gunnell
explicou que o funeral será realizado na cidade natal do boxeador, Louisville,
Kentucky, em data ainda não definida. "A família de Ali quer agradecer a
todos que o acompanhavam com seus pensamentos, orações e apoio, mas pede
respeito a sua privacidade", conclui o comunicado.
Aos
poucos, as ruas ao redor do Scottsdale Healthcare Osborn Medical Center
começaram a receber fãs, após o anúncio da morte do grande campeão dos pesos
pesados. Como em uma noite de combate, as pessoas se aproximaram do hospital
para aplaudir e recordar o legado de Ali.
Repercussão
O mito do
boxe - cujo Mal de Parkinson alguns atribuíam aos golpes recebidos durante a
carreira - havia sido internado no fim de 2014 e no começo de 2015, por
pneumonia e infecção urinária, e suas aparições públicas eram cada vez mais
raras. O filipino Manny Pacquiao publicou uma foto de Muhammad Ali com a frase:
"Por favor, tenham Muhammad Ali em seus pensamentos e orações. Com Deus,
tudo é possível".
Oscar de
la Hoya, campeão olímpico e várias vezes campeão mundial entre os
profissionais, o descreveu como uma "lenda e um dos atletas mais famosos
do mundo, o lutador que marcou o início da era de ouro do boxe e colocou o
esporte no mapa". "Além de seu incrível talento, também torno o boxe
interessante. Alia era corajoso no ringue, e enfrentou os oponentes mais difíceis.
Ali exemplificou a coragem porque nunca escolheu o caminho fácil, algo pelo que
deve ser admirado dentro e fora dos ringues", afirmou a empresa Golden Boy
Promotions, que organiza lutas de boxe, em um comunicado.
Cassius
Clay
Nascido
com o nome de Cassius Marcellus Clay Jr., assumiu o nome Muhammad Ali após a
conversão ao islã. Seu nome original começou a ficar famoso quando conquistou o
ouro olímpico em Roma-1960. Ele iniciou a carreira profissional no mesmo ano,
tornando-se campeão mundial da AMB em 1964, ao derrotar Sonny Liston por
nocaute no 7° round.
As
dificuldades começaram cedo, já que cresceu no sul segregado dos Estados Unidos
e sofreu com os preconceitos raciais e a discriminação. Talvez por este motivo
tenha abraçado o boxe e aos 12 anos descobriu seu talento para o esporte, após
uma pegadinha do destino, quando sua moto foi roubada. Ali afirmou ao policial
que desejava bater no ladrão e o agente, Joe Martin, também era treinador de
boxe em um ginásio local. Assim teve início a lenda.
Com
apenas 22 anos e ainda como Cassius Clay, conquistou seu primeiro título dos
pesados ao vencer Sonny Liston no dia 25 de fevereiro de 1964, em Miami,
Flórida. Clay usou sua velocidade e jogo de pernas - que marcaram sua carreira
- para derrotar o lento Liston, que abandonou a luta no sexto round. Após o
nocaute técnico, Clay proclamou ao mundo: "sou o maior"!
Em 25 de
maio de 1965, já como Muhammed Ali, voltou a enfrentar Liston em Lewiston, no
Maine, para derrubar o desafiante logo no primeiro round. O mestre indiscutível
dos pesos pesados, considerado "o maior de todos", provocou uma
grande polêmica alguns anos depois nos Estados Unidos, em 1967, quando se
recusou a cumprir o serviço militar e combater na guerra do Vietnã, alegando
convicções religiosas. Ele foi detido e destituído do título mundial, além de
ter sido proibido de praticar boxe profissionalmente por três anos e meio.
No
retorno aos ringues, Ali enfrentou Joe Frazier no Madison Square Garden. No dia
8 de março de 1971, com 50 países transmitindo o combate em Nova York, Ali
começou dominando os três primeiros rounds, mas Frazier assumiu o controle a
partir do quarto assalto - com uma série de ganchos - e encurralou o adversário
no final. Frazier manteve o título por decisão unânime dos juízes, impondo a
Ali sua primeira derrota profissional.
Ali só
voltou a ser campeão mundial em outubro de 1974, ao conquistar os títulos da
AMB e CMB, depois de vencer o grande rival George Foreman, em Kinshasa, no
Zaire, hoje chamado República do Congo, por nocaute no oitavo round em uma luta
que muitos consideram a maior de todos os tempos, conhecida como "Rumble
in the Jungle".
Ali
dançou no ringue para evitar a conhecida pegada do gigante Foreman, que
disparava golpes e se cansava no sufocante calor africano diante das
provocações, outra característica do lendário pugilista. A partir do quarto
round, Foreman já mostrava cansaço e começou a ser minado por uma sequência de
golpes, que culminaram com o nocaute no oitavo assalto, após um gancho de
esquerda que sacudiu a cabeça de Foreman e uma direita que o jogou na lona.
Outra
luta antológica ocorreu em Manila, nas Filipinas, a terceira contra Frazier,
que treinou intensamente para o combate realizado em outubro de 1975. Ali
começou com uma série de golpes combinados, mas Frazier aproveitou o cansaço do
adversário para encaixar seus poderosos ganchos de esquerda, para dominar até o
décimo assalto, quando a lenda passou a reagir explorando sua velocidade para
fechar os olhos de Frazier com golpes precisos no rosto.
O
treinador de Frazier, Eddie Futch, jogou a toalha no 15º round, apesar das suas
objeções, e Ali venceu outro combate épico. O título foi perdido em fevereiro
de 1978, com derrota para Leon Spins, e reconquistado na revanche, em setembro
do mesmo ano.
A
carreira profissional de Ali terminou com uma derrota por pontos para Trevor
Berbick, no dia 11 de dezembro de 1981, no Queen Elizabeth Sports Centre de
Nassau. Mas nada abalou a lenda.
Parkinson
Em 1984
Ali anunciou ao mundo que tinha o Mal de Parkinson. "(Deus) me deu a
doença de Parkinson para mostrar que eu era um homem como os demais, que tinha
fragilidades como todo mundo. É tudo o que sou: um homem", disse em uma
entrevista em 1987.
Em 1996,
Ali emocionou o mundo ao acender a pira olímpica dos Jogos de Atlanta, já
tremendo por causa do Mal de Parkinson. O famoso promotor e presidente da
empresa Top Rank, Bob Arum, que começou a carreira no boxe com a organização em
1972 da luta entre Ali e George Chuvalo, o descreveu como algo bem maior.
"Se foi um dos grandes. Muhammad Ali transformou este país e impactou o
mundo com seu espírito", disse Arum, de 84 anos. "Seu legado será
parte de nossa história por todos os tempos", completou.
AFP
Correio
do Povo
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