Famílias de agricultores mortos clama por justiça
Créditos: Lucas
Cidade
O clima é de tensão em Faxinalizinho e o cancelamento, hoje, da
visita do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, acirrou os ânimos. O
repórter Lucas Cidade, da Rádio Uirapuru, esteve no local e conversou com os
envolvidos no conflito. De acordo com o prefeito do município, Selso Pelin, a
falta de comprometimento do ministro não foi nenhuma surpresa.
O chefe do executivo registra, ainda, que em nenhum momento a
prefeitura de Faxinalizinho foi informada da agenda do ministro. O que para ele
demonstra a postura omissa e falta de coragem dos governantes, do estado e do
país. Completando nove dias da tragédia que abateu a cidade, resultando na
morte de dois agricultores, Pelin ressalta que não obteve qualquer apoio dos
governos.
O estado mandou uma nota, apenas. E apesar de forças policiais
estarem na cidade à insegurança domina os habitantes. O prefeito registra que
as aulas foram canceladas, pois os pais, brancos e índios, estão com medo de
enviar seus filhos a escola.
O comércio funciona, temendo a ocorrência de algum incidente.
Pois conforme frisa, apesar da presença da polícia federal e militar, ninguém
sabe o que pode ocorrer se, por exemplo, uma ordem de prisão tiver que ser
executada. Por isso, para o prefeito a omissão das autoridades é no mínimo
criminosa.
Sobre a chegada de ônibus de índios de outra região, o prefeito
informa que de acordo com as lideranças indígenas eles estariam vindo para a
cidade para participar de assembleia em que eles decidiriam se vão ou não para
Brasília, realizar um protesto.
Também conversou com o repórter a esposa do agricultor Alcemar
de Souza, Elaine Roseli de Souza. Ela relata que sempre viveu no local, com a
família, de forma tranquila, sem nunca ter tido nenhuma rusga com os índios.
Agora, a viúva que afirma estar com a vida parada, desde o ocorrido, clama por
justiça.
Já a irmã das vítimas, Sandra Mara Souza, ressalta que dede o
ocorrido, que levou dois dos seus quatro irmãos, as pessoas não conseguem
trabalhar e nem tocar sua vida adiante. Por isso pede a punição, urgente, para
os assassinos e também, que o governo se posicione.
Ela encerra informando que a família continua no local,
apreensivos e com medo, afirmando que as terras em que trabalharam nunca foram
indígenas, mas sim adquiridas com o suor de seus pais e avós. Sobre a
investigação a irmão sabe que ela continua, mas nenhuma autoridade
conversou com a família até o momento.
Fonte:
Rádio Uirapuru
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