Animais se instalam dentro de sapatos, embaixo
de travesseiros, em toalhas e em depósitos com restos de materiais de
construção | Foto: Mauro Schaefer
Porto Alegre está em alerta por conta da presença
do escorpião amarelo, que já foi visualizado, este ano, em pelo menos cinco
bairros: Lomba do Pinheiro, Anchieta, Passo D'Areia, São Geraldo e Centro
Histórico. Mesmo que o animal tenha sido visto nestas localidades, a bióloga da
Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde,
Fabiana Ninov, garantiu que ele pode estar em toda a cidade, inclusive em
outras regiões do Estado. "Não há infestação, assim as pessoas se enganam.
Todos precisam prestar mais atenção à presença do escorpião amarelo",
ressaltou.
Conforme Fabiana, em períodos mais quentes, como
no verão, o animal se reproduz com maior rapidez. "O calor dá condições
melhores de reprodução para todo animal de patas articuladas, como é o caso do
escorpião amarelo", disse, mas garantiu que isto não significa que ele não
possa ser visto no inverno. "Em 2017, por exemplo, tivemos dois acidentes,
um em maio e um em outubro", exemplificou. Entre 2001 e 2017, ocorreram 18
acidentes na Capital, sem registro de óbitos.
Até o momento, nenhum acidente com o animal foi
registrado em 2018 mas, para que não venham a ocorrer, é preciso que a
população esteja orientada. "Quando alguém visualizar o escorpião amarelo,
deve ligar para o 156, para informar a Vigilância em Saúde, passando o
endereço e um telefone para contato", afirmou. A necessidade de um contato
é porque, segundo Fabiana, cerca de 90% dos reclamantes alertam sobre a
presença do escorpião preto, que não oferece graves riscos à saúde.
Em caso
de acidente por picada do escorpião amarelo, a pessoa deve ser encaminhada
imediatamente para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde poderá ser medicada
com o soro antiescorpiônico. O animal, de acordo com Fabiana, gosta de
ambientes escuros e úmidos. "Geralmente se instalam dentro de sapatos,
embaixo de travesseiros, em toalhas e em depósitos com restos de materiais de
construção, como telhas e pedaços de madeira", destacou.
Fabiana
informou que, quando é visto dentro de uma residência, o escorpião amarelo não
está em busca do humano e sim de baratas. "Ele vai parar dentro das casas
porque está procurando alimento, que são as baratas. Quando não encontra, acaba
ficando perdido e se instala em ambientes onde se sente seguro", detalhou.
Controle é fundamental
Não é
indicado utilizar inseticidas para matar o escorpião amarelo. A recomendação é
do biólogo e especialista em controle de pragas da Multicontrole, Carlos
Peçanha, que estuda a espécia desde os anos 1980. "Se você usa inseticida,
você desaloja o animal, que sai em desespero, em agonia, e isto é muito
perigoso", enfatizou. Conforme Peçanha, em caso de acidente, é fundamental
que o escorpião seja levado ao médico. "Quando tratadas a tempo, as
pessoas picadas pelo escorpião amarelo têm grandes chances de cura",
destacou.
Diferente
da abelha, o escorpião amarelo não morre após picar um humano. Ele utiliza o
ferrão para atacar o alimento, no caso a barata, e também para se defender, no
caso de atacar humanos. Peçanha afirmou que, no Brasil, são notificados cerca
de 90 mil acidentes com escorpiões amarelos por ano. "Uma única fêmea
consegue se reproduzir, e por isso é um bicho que tem tanto sucesso na ocupação
dos espaços dos humanos. Chegam nas cidades, encontram abrigo, encontram as baratas,
que serão o alimento, e isso tudo gera uma condição muito favorável. Por isso
eles estão invadindo há muito tempo o nosso Estado", explicou.
Segundo ele, o controle dos escorpiões amarelos é
fundamental para evitar a proliferação da espécie em ambientes urbanos. Se não
houver um controle, de acordo com Peçanha, o número de escorpiões nas mais
variadas regiões deve aumentar rapidamente. Além de evitar usar inseticidas se,
por acaso, uma pessoa tentar matar o animal, precisa estar atenta para a
velocidade. Peçanha ressaltou que os escorpiões são muito rápidos e que não
morrem facilmente. "É preciso esmagá-los com um objeto realmente
duro", disse.
Jessica Hübler
Correio do Povo
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