Senador é denunciado em inquérito resultantes
da delação de Joesley Batista
Foto: Pedro França / Agência Senado / CP
A primeira Turma do Supremo Tribunal Federal
(STF) deve julgar na próxima terça-feira, dia 17, se recebe a denúncia
oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Aécio
Neves (PSDB-MG), informa a assessoria da Corte. O caso é o do inquérito que investiga
o senador pelos supostos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça,
instaurado em maio de 2017, com base na delação da JBS. Entre as acusações que
pesam sobre Aécio, está a gravação na qual o tucano pede R$ 2 milhões ao
empresário Joesley Batista, um dos donos da J&F, controladora da JBS.
Em uma conversa, o tucano aparece pedindo o
dinheiro ao empresário sob a justificativa de que precisava pagar despesas com
sua defesa na Operação Lava Jato. Também são acusados de corrupção passiva
nesse inquérito a irmã do senador, Andréa Neves, seu primo Frederico Pacheco de
Medeiros e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé
Perrella (MDB-MG).
O relator do inquérito é o ministro Marco Aurélio
Mello. Ainda compõem a Primeira Turma do STF os ministros Alexandre de Moraes,
Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. A irmã de Aécio teria feito o
primeiro contato com o empresário. O tucano indicou seu primo para receber o
dinheiro, que foi entregue pelo diretor de Relações Institucionais da JBS,
Ricardo Saud, um dos sete delatores. Ao todo, foram quatro entregas de R$ 500
mil cada uma, segundo o Ministério Público.
A denúncia contra Aécio foi apresentada em 2 de
junho de 2017. O senador foi alvo de duas decisões de afastamento das
atividades parlamentares, no ano passado. A primeira foi do ministro Edson
Fachin, em maio, quando deflagrada a Operação Patmos. Houve em seguida uma
mudança de relatoria, e o novo relator, Marco Aurélio, decidiu revogar a
decisão de Fachin. Mas, no segundo semestre, veio o segundo afastamento, por
decisão da Primeira Turma do Supremo, por maioria. Criou-se um impasse diante
da indisposição do Senado de cumprir a medida, e o Supremo terminou avalizando
que a Casa Legislativa tinha o direito de dispensar a determinação de
afastamento de parlamentares - o que salvou o posto do tucano no Congresso.
Só após a resolução deste imbróglio, o ministro
relator, Marco Aurélio Mello, notificou as defesas para apresentação de
resposta prévia à denúncia. Por meio de nota, a defesa de Aécio Neves afirmou
nesta terça-feira que o senador "vem demonstrando que ele foi vítima de
uma situação forjada, arquitetada por criminosos confessos que, sob a
orientação do então procurador Marcelo Miller, buscavam firmar um acordo de
delação premiada fantástico". "As provas revelam que o empréstimo
pessoal feito ao senador não envolvia dinheiro público ou, como reconheceu a
própria PGR, qualquer contrapartida. Assim, inexiste crime ou ilegalidade na
conduta do senador Aécio", afirma o advogado Alberto Zacharias Toron.
ESTADÃO conteúdo
Correio do Povo
Nenhum comentário:
Postar um comentário