terça-feira, 18 de setembro de 2012

Prefeito de Bom Progresso nega irregularidades e diz que denúncias são de adversários políticos

Policiais cumprem mandados de busca e apreensão e de prisões em oito cidades na Operação Babilônia, que investiga desvio de dinheiro público de programas como o Bolsa-Família e no transporte escolar, em Bom Progresso


     A Delegacia Fazendária do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) desencadeou nesta manhã a Operação Babilônia, que apura fraudes na prefeitura de Bom Progresso, no Noroeste do Estado.

     Entre os investigados, estão quatro secretários municipais, que já foram presos. Dois são filhos do prefeito Armindo David Heinle (PP).

     A polícia fez buscas na casa do prefeito, já que um dos filhos, Jarbas Heinle, que é secretário da Saúde, mora com ele. O prefeito não é investigado na Operação Babilônia. Segundo o delegado Joerberth Nunes, titular da Delegacia Fazendária, Jarbas seria um dos mentores do esquema criminoso. O outro filho de Armindo que foi preso é o secretário de Finanças, Newton Jair Heinle.

     — Nem tem nada acontecendo aqui (de irregularidades), isso é denúncia dos adversários, da oposição — disse o prefeito.

     Em torno de 250 policiais cumprem 13 ordens de prisão e 55 mandados de busca e apreensão em oito cidades, entre elas, Bom Progresso, Passo Fundo, Ijuí e Porto Alegre. Os presos estão sendo levados para a Delegacia Regional da Polícia Civil em Três Passos, onde está o diretor do Deic, delegado Guilherme Wondracek.

     Os primeiros a serem presos em Bom Progresso foram dois secretários municipais e a mulher de um deles, que é dona de uma empresa investigada porque participaria de irregularidades na venda de produtos à prefeitura. Em Passo Fundo, foi capturado o dono de uma rede de farmácias. Armas e munição foram apreendidos.

Segundo a polícia, o valor desviado seria em torno de R$ 7 milhões nos últimos sete anos. A Justiça decretou a prisão de secretários municipais e de empresários e fornecedores de serviços que participariam do esquema que desvia dinheiro público fraudando licitações, programas como o Bolsa-Família, convênios para o fornecimento de medicamentos e até o sistema de transporte escolar da cidade de 2,3 mil habitantes. Entre os 21 investigados há políticos e candidatos do pleito de 2012.

     Estão sendo feitas buscas na prefeitura de Bom Progresso, secretarias, residências dos suspeitos e nas sedes de empresas que tinham negócios com o executivo municipal. O desvio de valores ocorreria por meio da compra de produtos que, apesar de não serem entregues, eram pagos pela prefeitura, assim como serviços supostamente realizados. Os pagamentos se embasavam, segundo a investigação, em notas frias.

     Em mais de 40 mil ligações interceptadas com autorização judicial a polícia também apurou que suspeitos negociariam armas e teriam combinado estratégias para intimidar e ameaçar testemunhas da investigação. O inquérito tem cinco volumes e foi produzido a partir de um esquema especial de trabalho, já que havia riscos de vazamento de informações na cidade.

Fonte: Adriana Irion e Cid Martins / ZERO HORA

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