quinta-feira, 18 de maio de 2017

Aécio Neves pede afastamento da presidência do PSDB

Senador disse que irá usar todo o tempo disponível para provar sua inocência

Aécio Neves pede afastamento da presidência do PSDB | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
   Aécio Neves pede afastamento da presidência do PSDB
   Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP

Aécio Neves, pressionado após a revelação das delações da JBS que apontam que ele recebeu R$ 2 milhões,  divulgou nota pedindo licença da presidência do PSDB. No texto, ele afirma que vai se dedicar a preparar a defesa contra ”o absurdo dessas acusações e o equívoco dessas medidas”. Ele também confirma que apresentou o nome de Tasso Jereissati para assumir interinamente o cargo.


Comunicado do senador Aécio Neves

Em razão das ações promovidas no dia de hoje contra mim e minha família, quero afirmar que, a partir de agora, minha única prioridade será preparar minha defesa e provar o absurdo dessas acusações e o equívoco dessas medidas.

Me dedicarei diuturnamente a provar a minha inocência e de meus familiares para resgatar a honra e a dignidade que construí ao longo de meus mais de trinta anos de vida dedicada à política e aos mineiros em especial.

O tempo permitirá aos brasileiros conhecer a verdade dos fatos e fazer ao final um julgamento justo.

Para isso, decidi licenciar-me hoje da Presidência do PSDB que ocupo há mais quatro anos com extrema honra e dedicação. O Brasil precisa que o PSDB continue a ser o fiador das importantes reformas que vêm mudando o país.

Depois de ouvir inúmeros companheiros e seguindo o que determina o nosso Estatuto, estou apresentando à Executiva o nome do senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, para assumir nessa interinidade a presidência do partido.

Estou seguro de que, sob seu comando, com o apoio de nossos governadores e prefeitos, de nossas bancadas no Senado e na Câmara, dos nossos diretórios estaduais, de nossos líderes municipais e de todos nós, ele fará o partido seguir de forma firme e corajosa sua vitoriosa trajetória.

Aguardarei com firmeza e serenidade que as investigações ocorram e estou certo de que, ao final, como deve ocorrer num país onde vigora o Estado de Direito, a verdade prevalecerá e a correção de todos os meus atos e de meus familiares será reconhecida.

O STF determinou o afastamento do senador Aécio Neves do mandato. Além disso, Fachin impôs duas medidas cautelares ao tucano: a proibição de contatar qualquer outro investigado ou réu no conjunto de fatos revelados na delação da JBS; e a proibição de se ausentar do País, devendo entregar o passaporte.

Aécio Neves foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), deflagrada hoje e que serve como desdobramento da Lava Jato. Na ofensiva, a sua irmã, Andrea Neves, foi presa preventivamente. Os policiais ainda cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços do senador.

Andrea é suspeita de pedir dinheiro para Joesley Batista em nome do irmão - que recebeu R$ 2 milhões do empresário em entrega filmada e registrada. O dinheiro foi dada a um primo de Aécio. Um primo do presidente do PSDB também foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como Fred, teria sido filmado recebendo R$ 2 milhões a mando de Joesley Batista.

Além dele, Menderson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) também foi preso. Todos foram citados na delação de Joesley Batista. Em todos os casos os mandados são de prisão preventiva e foram autorizados pelo STF.

A PF não informa os locais exatos e nem a quantidade da mandados abertos para a capital mineira. Uma fazenda do senador no município de Cláudio, na região centro-oeste de Minas Gerais, é outro alvo dos policiais. Paralelamente, no Rio de Janeiro, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em um imóvel de Andrea Neves. A PF recolheu materiais e equipamentos que passarão por perícia. Os gabinetes de Perrela e de Aécio no Senado, em Brasília, também foram alvo de buscas.

A ação da Polícia Federal ocorre após o jornal O Globo revelar, na noite de quarta-feira, que o empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, entregou à Justiça gravações que comprometem Aécio Neves. Ele teria pedido R$2 milhões para ajudar a pagar suas despesas com a defesa na Operação Lava-Jato. O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio. A entrega foi registrada em vídeo pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho do dinheiro e descobriu que o montante foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).


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Correio do Povo

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