terça-feira, 23 de agosto de 2016

Inquérito policial que investigou morte da mãe de Bernardo é arquivado em Três Passos


Inquérito policial que investigou morte da mãe de Bernardo é arquivado em Três Passos
   Inquérito Policial poderá ser reaberto caso surjam novos elementos. Foto: TP News

A juíza Vivian Feliciano decidiu pelo arquivamento do Inquérito Policial que apurou as circunstâncias da morte de Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo, nesta terça-feira, 23, em Três Passos.

Segundo o TJ-RS, o caso foi arquivado por não apresentar elementos novos a ser investigados e tampouco suficientes para afastar o conjunto de provas que apontam para o suicídio da vítima.

Conforme a conclusão das investigações, a mãe do menino Bernardo cometeu suicídio, em fevereiro de 2010, no consultório do marido, o médico Leandro Boldrini.

Segundo a magistrada, a conclusão da Autoridade Policial e o pedido de arquivamento feito pelo Ministério Público não estão dissociados das provas apresentadas no Inquérito Policial, sendo inviável determinar que a polícia judiciária faça novas diligências.

Ainda segundo a magistrada, além de ser esta uma atribuição do órgão acusador, as inconformidades da parte interessada não trouxeram elementos novos, desconhecidos da autoridade policial, a serem investigados, tampouco, mostram-se suficientes para afastar o conjunto de provas que apontam para o suicídio da vítima, asseverou a magistrada.

A investigação havia sido desarquivada a pedido da mãe de Odilaine, Jussara Uglione, após peritos contratados por ela concluírem que a carta supostamente deixada pela filha, antes de morrer, teria sido escrita por outra pessoa. 

O Ministério Público entendeu que havia lastro suficiente para investigar uma nova versão do fato e o expediente foi desarquivado, dando-se continuidade às investigações. Após inúmeras diligências, a autoridade policial concluiu pela ocorrência de suicídio.

Por meio de perícia grafotécnica, a conclusão do Instituto Geral de Perícias (IGP) foi de que a carta deixada foi realmente escrita por Odilaine. Peritos oficiais concluíram que os escritos e a assinatura da carta encontrada na bolsa da vítima no dia dos fatos foi produzida pela mãe de Bernardo, afirmou a magistrada.

A juíza Vivian Feliciano também afirmou que a perícia do IGP, com base na uniformidade dos relatos das testemunhas presentes na clínica médica, também foi conclusiva no sentido de que não havia ninguém, além de Leandro Boldrini e Odilaine, na sala de atendimento, acrescentou.

De acordo com o laudo de reconstrução tridimencional dos fatos, cinco posições da vítima foram simuladas para fins de visualização de possível atirador. Uma delas foi descartada em razão do ângulo do tiro no crânio da vítima. Das quatro possibilidades restantes e possíveis, em três, a vítima foi opróprio atirador, ressaltou a juíza.

Quanto às impugnações ao laudo oficial realizado pelo Departamento de Criminalística, Divisão de Balística Forense, do IGP, deve-se ressaltar que o método utilizado na análise químico-residuográfica para chumbo foi o método colorimétrico, mesma técnica utilizada em 2010. Por outro lado, o método utilizado na análise feita pelo perito particular foi o Atômico Nuclear o que, como apontado pelo próprio IGP, justifica a diferença de resultado.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou ao Três Passos News, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há possibilidade de recurso. No entanto, o Inquérito Policial poderá ser reaberto caso surjam novos elementos.

Entenda o Caso Odilaine

Conforme a polícia, Odilaine teria cometido suicídio dentro do consultório do pai de Bernardo, Leandro Boldrini, no dia 10 de fevereiro de 2010. No inquérito policial, consta que ela comprou um revólver calibre 38 um pouco antes de ir à clínica. Além disso, também há o registro de um bilhete em que a secretária do médico, Andressa Wagner, entregaria ao patrão, alertando sobre a chegada de Odilaine. O processo conta com depoimentos de testemunhas que estavam na sala de espera no dia da morte e com documentos referentes a uma possível divisão da pensão a ser paga após o processo de separação do casal.

Já a defesa da família Uglione alegou que houve falhas na investigação da morte da mãe de Bernardo, entre as principais, estavam divergências quanto ao exato local da lesão no crânio de Odilaine; existência de lesões no antebraço direito e lábio inferior da vítima; lesões em Leandro Boldrini; vestígios de pólvora na mão esquerda da vítima, que era destra; ausência de exame pericial em Boldrini, uma carta fraudada supostamente deixada pela mãe de Bernardo e a própria morte do garoto,que configuraria um fato novo.

Entenda o Caso Bernardo

Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, em Três Passos. Dez dias depois, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico, enterrado às margens de um rio. Foram presos o médico Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini e uma terceira pessoa, identificada como Edelvânia Wirganovicz. Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, também foi preso acusado de participar da ocultação do cadáver. Os quatro foram indiciados e irão a julgamento.


Fonte: Três Passos News

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