quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Helicoverpa armigera: Tecnologia Bt “não é milagre” e precisa ser “respeitada”



Na avaliação da Doutora em entomologia Cecilia Czepak, as sementes transgênicas com Bt (Bacillus thuringiensis) são uma “ferramenta de alta tecnologia, mas pouco respeitada como tal”. A especialista – que foi a primeira a publicar estudo completo sobre Helicoverpa armigera quando do surgimento do primeiro surto no Brasil, em 2013 – é fonte dessa série de reportagens exclusiva do Portal Agrolink (Clique AQUI para ler).

“Os envolvidos no setor, neste caso os produtores rurais, agrônomos, etc, precisam mudar os hábitos com relação as tecnologias que surgem ao longo do tempo, pois senão elas se perderão uma após a outra, com o terrível incomodo de pagar cada vez mais caro por elas. Afinal, foi-se o tempo em que plantar soja era fácil”, alerta Cecilia. 

A Doutora sustenta que “ainda não podemos chamar de resistência” os casos nos quais surgiram lagartas em lavouras com sementes Bt: “Sabemos que esta ferramenta tem efeito para algumas lagartas e para outras nem tanto. Enquanto o setor generalizar as populações, chamando-as por ‘lagartas’ e ignorar o processo de identificação das espécies, os problemas só aumentarão e aí essa ideia de baixo e/ou falso controle se espalha de forma indevida”.

“Precisamos entender que não estamos falando de solução dos problemas, e sim de ferramentas de uso dentro das táticas de Manejo de Pragas, onde as tomadas de decisão são feitas como qualquer variedade de soja convencional. Infelizmente, o pensamento dos usuários desta tecnologia muitas vezes se apresenta desta forma: ‘A cultura é Bt, então estamos tranquilos, podemos ‘baixar a guarda’ e esperar que ela funcione!!!’”, lamenta.

Segundo ela, “quando se deparam com surtos de lagartas nas referidas áreas, com danos muitas vezes irreversíveis, o raciocínio passa a ser o de buscar outra cultivar Bt, enquanto o correto seria entender porque houve a falha e corrigi-la imediatamente, ou em um próximo plantio. Isso ocorreu no milho Bt, esta ocorrendo no algodão Bt e talvez a história se repita na soja Bt, como se fosse uma tecnologia totalmente descartável e facilmente substituível”, aponta ela. 

“Quem adota esta tecnologia precisa monitorar continuamente e sempre utilizar de outras táticas de controle para manter populações de pragas em níveis toleráveis para a cultura, como por exemplo, o controle biológico, o controle cultural e inclusive o controle químico quando for necessário, sem que isso afete na produtividade. Os cultivos com a tecnologia Bt não prometem milagres. Aliás, desafio qualquer pessoa a promover milagres na agricultura com relação a pragas....nem mesmo os famosos 'curandeiros' do campo”, explica a especialista.


Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems
Foto: Carlos R. Dellavalle Filho

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